Livro: “Viagem ao coração de uma guerra futura”

Neste livro, a perspetiva é a de um viajante do futuro, que se desloca para observar as raízes da discórdia, encontrar abominações, diferenças irredutíveis, ódios antigos – ideias e sentimentos pelos quais valha a pena matar e morrer.

Com a invasão russa da Ucrânia, a 24 de fevereiro de 2022 – ainda que se deva começar a contar o tempo desde que a Crimeia foi ocupada, em 2014 –, muitos têm sido os livros publicados sobre o tema ou à volta dele, incluindo análise geopolítica, História, relatos de viagem, reportagem jornalística e ficção.

Quem escreve e quem lê procura compreender, encontrar raízes históricas que sustentem os acontecimentos recentes, ir para além do mero ódio ou dos mais vis interesses económicos.

 

 

Da Rússia à Ucrânia, passando pelas várias fronteiras físicas e culturais que dividem os verdadeiramente europeus daqueles que o não serão ainda, “Viagem ao coração de uma guerra futura” resulta da reunião de apontamentos de Paulo Moura das várias viagens que fez, entre 1995 e 2022, à Rússia, Ucrânia e Leste Europeu, em busca da origem do conflito a que assistimos hoje, com a invasão pela Rússia de Putin.

A edição é da Objectiva, uma chancela do grupo editorial Penguin Random House. A perspetiva é a de um viajante do futuro, que se desloca para observar as raízes da discórdia, encontrar abominações, diferenças irredutíveis, ódios antigos – ideias e sentimentos pelos quais valha a pena matar e morrer.

Esse viajante depara-se com pessoas, objetos e lugares. Alguns permitem-lhe compreender o que se passou e porquê; outros apenas fazem aumentar a perplexidade: uma máquina fotográfica que talvez tenha pertencido a Hitler, uma cidade de cientistas, no meio da Sibéria, que desencadeou o fim da guerra fria, um banqueiro comunista, o star-system da mafia russa, o regresso do rei búlgaro, a prisão do ditador sérvio, Milosevic, os bastidores da indústria porno húngara, as fronteiras polacas de todos os tráficos, o clube noturno mais ousado de Moscovo, um jogador de póquer em Maidan, reuniões secretas dos nazis ucranianos, oligarcas revolucionários na Crimeia. Peças de um puzzle que nem sempre encaixam.

As razões para se começar uma guerra são sempre muitas. E são precisamente as mesmas que tornam a paz obrigatória e urgente. Segundo o autor, vistas do futuro, todas as guerras são absurdas.

Paulo Moura é escritor e repórter freelance português. Nasceu no Porto, em 1959, e estudou História e Jornalismo. Foi jornalista do Público durante 23 anos, tendo exercido funções de correspondente em Nova Iorque e de editor da revista “Pública”. Tem estado em reportagem em zonas de crise por todo o mundo, fazendo a cobertura jornalística de conflitos no Kosovo, Afeganistão, Iraque, Chechénia, Argélia, Angola, Caxemira, Mauritânia, Israel, Haiti, Turquia, China, Sudão, Egipto, Líbia e muitas outras regiões.

Eis a sugestão de leitura desta semana da livraria Palavra de Viajante.

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