PremiumTimor-Leste 20 anos depois

Volvidas duas décadas desde a independência, apesar dos progressos feitos na melhoria do nível de vida, os níveis de pobreza permanecem elevados. Quais são agora as prioridades, segundo Ramos-Horta, Ana Gomes e Helder da Costa.

“Foi um trabalho coletivo, dos portugueses, a nível diplomático, importantíssimo em termos da presidência de [Jorge] Sampaio, de [António] Guterres, em São Bento, e de Jaime Gama, [ministro dos Negócios Estrangeiros]”, diz ao Jornal Económico Ana Gomes, embaixadora, que foi chefe da missão diplomática portuguesa na Indonésia, entre 1999 e 2003, durante o processo de independência de Timor-Leste. “A direção política aqui foi determinante”, acrescenta, sublinhando, claro, “o papel fundamental que tem aqui o próprio povo de Timor. Não foi Portugal que fez acontecer a independência de Timor; foram os timorenses que lutaram, que perderam milhares e milhares de vidas na procura da liberdade e que, naquele momento, com aquela janela de oportunidade, souberam não perdê-la”.

Passados 20 anos, Timor-Leste é uma nação pacífica e democrática, descrita pelo Aicep Portugal Global como uma economia essencialmente agrícola – onde a produção de café se destaca –, mas também de subsistência, mas em que a exploração dos recursos naturais, essencialmente petróleo e gás natural, gera rendimento que pode ser aproveitado para o desenvolvimento. “O sector petrolífero tem sido encarado pelas autoridades timorenses como uma alavanca privilegiada para contrariar as fragilidades em termos de estruturas produtivas e as carências sociais que se fazem sentir no país”.

Desde 1999, ano em que foi feito o referendo que ditou a independência do país, a população de Timor-Leste cresceu consideravelmente. Em 2000, dois anos antes da restauração a independência, o país era habitado por pouco mais de 884 mil pessoas, um número que cresceu mais de 20%, superando o milhão de habitantes no dobrar da primeira década do século XXI, e ascendendo, atualmente, a cerca de 1,344 milhões atualmente, o que representa um aumento de 52% desde a refundação do país, de acordo com os últimos dados da Organização das Nações Unidas (ONU).

A evolução económica registou uma progressão mais acelerada, tendo quase triplicado entre 2001 e 2020, com o produto interno bruto (PIB) a crescer 143%, para 1,34 mil milhões de dólares (cerca de 1,27 mil milhões de euros).

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