2017 não é mais do mesmo

2017 é um ano no meio. Vemos morrer um modelo sem ainda nascer outro, a delícia dos conspiradores do sexto ciclo de Kondratiev.

O novo ano promete. Algo irá acontecer, e fazer apostas sobre isso é digno de jogadores. Que a médio prazo teremos um novo modelo de organização económica é mais provável. Que a situação na Europa vai alterar-se também é mais seguro, sem sabermos o que mudará nas políticas sociais e no papel do Estado. Que a tecnologia é o catalisador destes processos, deixa poucas dúvidas: humanized big data, machine learning, nanotecnologias, internet-of-things e outros não são fenómenos de moda, são hipóteses de base nos cenários de instituições, na antecipação de negócios, além de apostas de organizações e governos na preparação das sociedades.

2017 é um ano no meio. Vemos morrer um modelo sem ainda nascer outro, a delícia dos conspiradores do sexto ciclo de Kondratiev. É o ano em que a China inicia a fusão de nove cidades numa com 42 milhões de habitantes (seria o sexto país europeu), do tamanho da Holanda; o ano da Moon Express testar o MX1 lunar lander para criar voos comerciais à lua e da Blue Origin fazer os primeiros voos suborbitais com passageiros; o ano em que o XB-1, o avião supersónico da Boom Technologies, para 45 passageiros e que voa a 2,3 mil km/h, vai fazer os primeiros testes; o ano da introdução da visualização 3D, da realidade aumentada e da realidade virtual na cirurgia; e outros exemplos podiam ser dados.

Este não é o melhor momento para a Europa mudar o seu quotidiano porque estamos a curar uma crise profunda. Os EUA estão aqui em clara vantagem e na liderança do processo. Até a China já deixou de ser o seu principal credor, obrigada a adiar: “a restruturação da economia será levada a cabo apenas enquanto a estabilidade estiver assegurada”. O mercado imobiliário e o sistema financeiro chineses são desafios de monta, que a eleição de Trump e a subida das taxas de juro sujeitam a novos riscos. A valorização do dólar dificulta as exportações e a vida dos países emergentes, e a deriva protecionista da administração Trump impedirá o mundo de colher os benefícios de um dólar forte. Aliás, o novo presidente vai pôr a política americana a teste: escolheu um governo de homens de negócios, que em caso de sucesso vai adensar dúvidas sobre se a governação do país pode ser deixada aos políticos.

Deste lado do Atlântico, o caminho social e político resvala à direita – a Hungria foi o início, a Áustria escapou à justa. Na Polónia o Partido da Lei e da Justiça, conservador e no poder, pôs o país em alvoroço ao tentar controlar os media, ao não dar posse a juízes do Tribunal Constitucional e ao não publicar duas sentenças. A 27 de julho ouviu a União ameaçar com sanções ao abrigo do artigo 7º do Tratado, ameaça que Kaczynski classificou de “divertida”. Walesa desabafou dizendo que a União devia pôr esta Polónia fora. Em França, Marine Le Pen é presença segura na segunda volta das eleições presidenciais. Só falta a AfD conseguir uma representação parlamentar expressiva para os dados estarem lançados. Dizia de Gaulle que ninguém consegue governar um país com 246 variedades de queijo. Num mundo destes, a União tem mais.

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