2019: um ano de risco para a economia global?

O medo de uma guerra comercial sem fim e o abrandamento do crescimento dos Estados Unidos pesarão sobre a economia global no próximo ano.

O ano de 2019 poder ser mau para a economia global, a acreditar no Fundo Monetário Internacional (FMI) – que advertiu recentemente contra “ a acumulação de nuvens“ no horizonte e a que se juntam os mercados, que nas últimas semanas parecem assustados com o futuro imediato.

Nos Estados Unidos, investidores e economistas começaram a observar a inversão da curva das taxas de juros: é o tempo em que pedir emprestado no curto prazo se torna mais caro do que o endividamento a longo prazo, um fenómeno tradicionalmente anunciador de recessões. Uma sondagem realizada no início de dezembro com os CFOs dos Estados Unidos revela que 49% deles preveem uma contração da economia até o final de 2019. E mais 80% preveem uma recessão em 2020.

O contexto internacional alimenta preocupações. Pequim e Washington assinaram um armistício comercial, mas, sem chegar a um acordo final até março, as hostilidades podem ser retomadas. A atividade já começou a desacelerar na China, o grande impulsionador da economia global.

Noutros lugares do mundo, Alemanha, Japão, Itália e Suíça viram seu produto interno bruto (PIB) encolher no terceiro trimestre. Em dezembro, o crescimento do setor privado na Zona Euro caiu para o menor nível em quatro anos. A ameaça de um Brexit desordenado, a cada semana mais plausível, acrescenta um toque de incerteza. O que seria seriamente tropeçar uma economia global que cresceu 3,7% este ano?

“Sim, haverá uma desaceleração no crescimento. Mas os dados que observamos não são consistentes com o que geralmente acontece antes de uma recessão”, diz Pierre Lafourcade, economista do UBS e co-autor de uma nota publicada no final de novembro, que analisa 120 recessões em 40 países nos últimos 40 anos.

Citado pelo jornal «Le Monde’, o analista afirma que, “se estivéssemos num tal ponto, o consumo, por exemplo, começaria a desacelerar muito fortemente. No entanto, este não é o caso, nem nos Estados Unidos, nem na Zona Euro, nem no Japão”.

Mas nem em todo o lado o consumo está a contribuir para o crescimento. Ou, mesmo que estando, está em plano de desaceleração. Acontece isso mesmo em Portugal, mas também em França, onde os níveis de consumo interno dão mostras de que os consumidores estão a pensar duas vezes antes de gastarem.

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