2022: mercados em retrospectiva

Mais um ano a terminar e escusado será dizer que foi um ano bearish, em que o mercado e os preços dos ativos se têm encontrado em constantes quedas, o que já não era visto há muito tempo.

Muitos foram os eventos que abalaram o mundo, tanto a nível moral como a nível financeiro, e que fizeram deste um dos anos mais negativos alguma vez vistos no que toca a investimentos financeiros. Este artigo surge com o objetivo de fazer um “turn back” daquilo que foi o ano económico e relembrar um pouco os eventos que mais marcaram o ano de 2022.

O ano começou sem grandes novidades, mas em fevereiro “rebentou” um conflito armado entre a Ucrânia e a Rússia que foi um dos eventos, se não o evento, que mais impactou o ano de 2022. Desde a última guerra ocorrida no Iraque desde março de 2003 até de dezembro de 2011, nunca se pensou que nos iríamos deparar com um evento desta magnitude – mas parece que 2022 foi exceção. Esta grande invasão e ameaça à segurança e valores morais, iniciada a 24 de fevereiro de 2022 com a invasão russa, não só afetou em grande escala todos os direitos humanos como também toda a economia. Desde milhares de empresas a retirarem-se de território russo até às muitas contas congeladas de oligarcas russos em todo o mundo, os impactos desta guerra continuam visíveis e com tendência a piorar.

Ao nível dos mercados, foi visível o impacto deste acontecimento. Os investidores viram os seus ativos a perder valor e sem esperança de que voltassem a subir tão cedo. Já no mercado petrolífero assistimos ao preço do petróleo a disparar incrivelmente e a atingir valores perto dos 130 dólares por barril, algo não visível desde o ano de 2014. Isto ocorreu pelo simples facto de a Rússia ser um dos principais produtores e exportadores de petróleo e temer-se constrangimentos no fornecimento desta matéria-prima. No que toca ao gás natural assistimos a um aumento sem precedentes. Sendo a Europa um dos principais importadores de gás natural russo (cerca de 40% do gás natural europeu é proveniente da Rússia), o corte do abastecimento via Nord Stream levou o gás natural a fazer um novo máximo histórico acima dos 9,85 dólares por MMBTu.

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Os metais preciosos também não escaparam, e o estatuto de ativo refúgio levou o ouro a atingir valores perto dos 2100 dólares por onça, atingindo uma valorização acumulada de cerca de 12%.

Evolução do preço do Brent em 2022. Fonte: xStation5

 

Março ficou marcado pelo início do bear market, com os analistas a falarem da possibilidade de um crash nas bolsas de valores. Foi também neste mês que a Fed deixou cair finalmente a crença de que a inflação é transitória e aumenta a taxa de juro em 25 pb, sinalizando o primeiro aumento da taxa desde 2018. Os mercados acionistas reagiram em baixa e o dólar americano valorizou imenso nos meses que se seguiram, já que o ciclo de subida dos juros não iria ficar por ali.

As eleições presidenciais francesas realizaram-se entre 10 e 24 de abril de 2022. Como nenhum candidato obteve a maioria na primeira volta, foi realizada uma segunda volta, na qual Emmanuel Macron derrotou Marine Le Pen e foi reeleito presidente da França. Apesar da vitória para a moeda única, ao afastar a candidata de extrema direita, o EUR continuou a cair, com o BCE relutante em pelo menos sinalizar o primeiro aumento da taxa de juro.

Em Maio, o colapso do projecto Luna tornou-se um dos maiores acontecimentos no mercado das criptomoedas. O projecto perdeu quase 99% da sua valorização em apenas alguns dias. A Luna beneficiou da tendência em torno dos projetos DeFi, que permitiu aos titulares de projetos, como o projeto Luna, que beneficiassem de mecanismos financeiros avançados em alternativa aos mecanismos tradicionais. Durante o período da pandemia, milhões de novos investidores entraram no mercado e a Luna começou a captar o interesse dos investidores devido aos rewards atrativos pagos e ao aumento exponencial do preço do token. Este evento provocou a falência de vários outros projetos, como a Celsius, e um sell-off generalizado no mercado de criptos.

Em julho, o BCE subiu as taxas pela primeira vez desde 2011 para combater a inflação da zona euro, que subiu para 8,6% no mês de Junho.  Depois da FED e do BoE já o terem feito, o BCE surpreendeu o mercado ao subir a taxa em 0,5 pontos percentuais. Em resposta, as moedas de risco e os índices acionistas tiveram uma recuperação impressionante, que durou até meados de agosto.

O fim do verão trouxe-nos a ameaça de uma bolha imobiliária na Europa. De acordo com os dados da OCDE, os preços das casas são os mais elevados desde 2008, com Portugal a ocupar o 16º lugar no ranking de países mais prováveis de ter uma bolha imobiliária, enquanto que países como a Nova Zelândia e o Canadá ocupam o primeiro e segundo lugar, respetivamente.

Ainda em setembro, Liz Truss, como líder do partido conservador, foi eleita primeira-ministra sem necessidade de eleição geral uma vez que os conservadores tinham a maioria. O anúncio do seu plano orçamental desastros, levou as yields britânicas a um aumento sem precedentes e a uma desvalorização da GBP, o que levou à sua renúncia, 44 dias após assumir o cargo. O novo primeiro-ministro, Sunak, veio devolver alguma confiança ao mercado.

Outubro foi marcado pela retirada da Rússia do acordo de exportação de cereais ucranianos, o que levou os preços do trigo e do milho a subirem cerca de 5% no dia em que foi tomada a decisão. A retirada dos russos ocorreu por decisão de Vladimir Putin depois dos ataques aos seu navios que vigiavam a rota do Mar Negro. Este bloqueio levou ao aumento dos preços dos alimentos em todo o mundo, trazendo um sentimento de insegurança e o receio da ameaça de uma crise alimentar em zonas como África e o Médio-Oriente.

Evolução do preço do milho em 2022. Fonte: xStation5

 

O mês de Novembro foi marcado pela falência de uma das maiores exchanges de criptomoedas a nível mundial. A gigante FTX, criada em 2019 por Sam Bankman-Fried e avaliada em cerca de 32 mil milhões de dólares, anunciou no dia 11 de novembro que não tem liquidez suficiente para cobrir todos os levantamentos. Muitas teorias já foram apresentadas para tentar explicar esta situação, desde ataques informáticos às injeções de capital da FTX para salvar outras empresas, mas a verdade é que pela primeira vez, a veracidade desta classe de ativos foi posta em causa. Alimentados pelo medo e a incerteza que este acontecimento trouxe, os investidores apressaram-se a  vender os seus criptoativos, levando a um sell-off generalizado no mercado, e  ajudando a empresa a cair cada vez mais. Muitos consideraram ser o fim dos criptoativos enquanto outros apenas aproveitaram para reforçar as suas carteiras, esperando um novo aumento que compense todas estas perdas a que temos assistido.

 

Evolução do preço da Bitcoin em 2022. Fonte: xStation5

 

E antes mesmo de terminarmos o ano, assistimos a mais um desenvolvimento: a FED e o BCE aumentaram a taxa de juro em 50 pontos base e reviram em alta a projeção do objetivo da taxa para 2023. Esta afirmação foi encarada como bastante hawkish e condicionou o famoso rally de Natal, fenómeno que acontece tipicamente entre a semana anterior ao Natal e o dia 2 de janeiro, e que se caracteriza por uma valorização das ações, muito por causa dos reajustamentos das carteiras dos fundos de investimento antes do final do ano fiscal em outubro e ao facto das empresas pagarem os seus bónus no final do ano, o que vai aumentar os fluxos monetários no mercado bolsista.

Olhando em retrospectiva, concluímos que não foi um ano fácil, tanto a nível psicológico como financeiro. Com isto, só nos resta esperar que o próximo ano seja melhor, aproveitando para desejar aos nossos leitores um excelente 2023.

 

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