2023, ano difícil para Portugal

Em termos estritamente económicos, 2022 está a ser um ano globalmente positivo para Portugal. O ano que vem será ainda mais desafiante.

Em termos estritamente económicos, 2022 está a ser um ano globalmente positivo para Portugal.

Apesar da guerra, o país deverá apresentar uma taxa de crescimento acima da média, num contexto de desemprego em mínimos e excelente performance do turismo. Dizer que está a ser bom para Portugal não significa que esteja a ser bom para todos os portugueses, sobretudo aqueles que estão a ser mais penalizados por uma inflação galopante que erode os salários que ainda não subiram.

Como é normal nestas situações, sofrem mais os que ganham menos, dada a pouca discricionariedade do seu consumo. Para o Tesouro, o ano está a ser bastante bom. A receita fiscal disparou, as prestações sociais baixaram e a despesa está calculada pela bitola de 2021.

O ano que vem ameaça ser mais desafiador. Desde logo porque a probabilidade de uma recessão global tem vindo a aumentar, em grande parte devido às decisões dos bancos centrais, que teimam em combater constrangimentos na oferta e preços altos da energia com taxas de juro mais altas.

Se é verdade que o seu mandato passa pela estabilidade de preços, provocar uma desaceleração económica nesta fase poderá ser um jogo perigoso.

Os portugueses, por sua vez, irão continuar a deparar-se com preços mais altos e, mesmo que a inflação desacelere, os aumentos salariais muito provavelmente não compensarão a perda de poder de compra de 2022, e muito menos a de 2023. Acresce a este cenário os juros mais altos, rendas a subir e a possibilidade de uma subida do desemprego.

Isto porque nem todas as empresas, porventura a maioria e as de menor dimensão, terão capacidade de digerir aumentos substanciais nos salários.

O Estado terá um ano mais difícil porque haverá uma desaceleração da receita fiscal, despesa consideravelmente mais alta e, ao contrário deste ano, um comportamento desfavorável das taxas de juro reais. Haverá, talvez, o PRR para ajudar às contas. Portanto, arriscamos um 2023 desconfortável para trabalhadores, empresas e Estado.

Provavelmente, teremos menos paz social num contexto de maior desgaste governativo.

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