30 anos de BCP: de start-up a maior banco privado português

O BCP entrou em bolsa em 1987, numa altura em que havia 83 empresas cotadas na bolsa portuguesa. Trinta anos depois o banco é o único que sobrevive no PSI 20.

O banco liderado por Nuno Amado está hoje em Lisboa a comemorar os 30 anos de admissão à bolsa, numa cerimónia na Euronext Lisboa.

O BCP nasceu em 1985, ainda antes da Constituição portuguesa permitir as reprivatizações das empresas nacionalizadas em 1975. Já a iniciativa privada retomava os seus primeiros passos.

A escritura da fundação do BCP é feita no dia 25 de junho de 1985, na Associação Comercial do Porto, no mesmo dia em que Ramalho Eanes destituiu Mário Soares de Primeiro-ministro. O banco sob a batuta de Jorge Jardim Gonçalves beneficia de uma ajuda estatal para se impor, numa altura em que vigoravam os “plafonds de crédito”, onde eram fixados os volumes de crédito que cada banco podia conceder, o Banco de Portugal redistribui os plafonds para dar ao BCP entre 15% e 20%. Naquela altura as relações privilegiadas com o poder não tinham a má conotação que têm hoje, eram um ativo valioso.

Em 1987 o BCP entra na bolsa quando 83 empresas estavam já admitidas à cotação. A capitalização bolsista da bolsa portuguesa era de 4.026 milhões de euros, hoje soma 55.232 milhões.

A primeira oferta de compra de ações do BCP foi no dia 3 de setembro de 1987. Ainda nesse ano o BCP realizou o primeiro aumento de capital de muitos (40). Com este aumento o Banco que tinha nascido com 205 acionistas iniciais, na sua maioria grupos empresariais (maioritariamente do norte), passou a ter 13 mil acionistas e um capital de 7 milhões de euros.

Na origem do BCP esteve Américo Amorim, Macedo da Silva (RAR), Ilídio Pinho, Teixeira Duarte, a Vicaima, a Têxtil Manuel Gonçalves, Salvador Caetano, Revigrés, entre outros. Eram os empresários do Grupo do Infante, conhecidos assim pelas reuniões no Hotel Infante no Porto. Mas pode dizer-se que foi no Hotel do Buçaco (em reunião com Ernâni Lopes) que nasceu o BCP no papel, em setembro de 1984. Um projeto da consultora Mckinsey, então liderada por Manuel Violante, o homem por detrás de Jardim Gonçalves.

Os anos 2001 (ano de atentado às Torres Gémeas na zona de Wall Street) e 2002 foram amargos para o banco liderado por Jardim Gonçalves, altura em que sofreu uma forte desvalorização em bolsa.

O maior aumento de capital de sempre na bolsa portuguesa é do BCP, foi de 2,24 mil milhões de euros em 2014 e serviu para pagar a maioria dos CoCos que o Banco devia ao Estado.

A atual capitalização bolsista do banco liderado por Nuno Amado, depois do aumento de capital deste ano (1,3 mil milhões), passou a ser de 3.364 milhões de euros.

Hoje tem 180 mil acionistas, com 30% de retalho institucional, disse Nuno Amado.

Os maiores acionistas são os chineses da Fosun (24%) e a Sonangol com cerca de 15%.

(atualizada)

 

 

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