Só duas em cada dez famílias portuguesas viram rendimentos subir em 2021

Em 17,5% das famílias residentes na União Europeia registou-se um aumento dos rendimentos, em oposição aos 16,0% em que existiu um decréscimo. Em Portugal, observou-se estabilidade em 61,8% dos agregados.

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Os rendimentos de mais de metade da população portuguesa pouco ou nada mudaram entre 2020 e 2021, tendo, ainda assim, duas em cada dez famílias visto o seu orçamento subir. Estes dados foram divulgados esta terça-feira pelo Eurostat e permitem perceber que por cá a fatia de cidadãos que registaram um aumento dos rendimentos foi mais expressiva do que a média comunitária, mas também a fatia dos que viram o orçamento emagrecer foi mais ampla do que a registada na União Europeia (UE).

Vamos por partes. Entre os agregados familiares europeus, em 66,5% os rendimentos denotaram estabilidade em 2021, comparando com 2020. Já em 17,5% das famílias registou-se um aumento, em oposição aos 16,0% em que existiu um decréscimo.

Mais, de acordo com o gabinete de estatísticas, em todos os Estados-membros, a fatia de famílias com rendimentos mais ou menos estáveis superou os 50%, com o Chipre (50,7%) e a Itália (84%) a destacarem-se, uma vez que ocupam os dois polos da tabela.

Já a fatia de população que registou um acréscimo dos rendimentos variou entre 4,9% em Itália e 34,8% na República Checa. Em contraste, a fatia de população que viu os rendimentos caírem variou entre 5,4% na Roménia e 27,6% no Chipre.

O Eurostat detalha que em 17 Estados-membros houve mais famílias a aumentar o seu orçamento do que a diminuí-lo, sendo que em oito destes a diferença entre estes dois grupos populacionais superou os dez pontos percentuais.

“Por outro lado, a fatia de população que indicou um decréscimo do rendimento foi superior à que sinalizou uma subida em nove Estados-membros, com a diferença entre estes grupos a ser inferior a dez pontos percentuais em oito destes países”, acrescenta o gabinete de estatísticas, no destaque publicado esta manhã.

Em Portugal, os rendimentos mantiveram-se estáveis em 61,8% dos agregados, ou seja, a fatia de população que verificou estabilidade no seu orçamento foi inferior à média comunitária.

Tal é explicado porque os dois outros grupos (os cidadãos que viram os rendimentos subirem e aqueles que perderam rendimentos) foram mais expressivos do que o registado a nível da UE.

Assim, 20,3% das famílias portuguesas viram o seu orçamento aumentar, mais 2,8 pontos percentuais do que a média comunitária. E 18% viram os rendimentos emagrecerem, mais dois pontos percentuais do que na UE.

O ano de 2021, note-se, ficou marcado ainda por fortes restrições associadas à crise pandémica, mas também por alguma recuperação pós covid-19, sobretudo nos últimos meses do ano. Isto depois de em 2020 as famílias terem visto os seus rendimentos severamente afetados pela pandemia, que levou à suspensão temporária de várias atividades e ao corte dos salários, ao abrigo de regimes como o layoff simplificado.

Atualizada às 12h36

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