Apoio do CDS a Marcelo aprovado, mas muito longe da unanimidade

Prevaleceu o apoio à reeleição do atual Presidente da República defendido por Francisco Rodrigues dos Santos, mas entre os 215 participantes na reunião realizada por meios digitais houve 28 abstenções e 34 votos contra.

Rui Ochoa / Presidência da República / Lusa

A votação do apoio do CDS à candidatura presidencial de Marcelo Rebelo de Sousa que encerrou a reunião extraordinária do Conselho Nacional, realizada neste sábado por meios digitais, confirmou que o atual Presidente da República está longe de ser unânime entre os dirigentes centristas: entre os 215 participantes, apenas 153 votaram a favor, enquanto 28 optaram pela abstenção e 34 votaram contra.

Prevaleceu a vontade do presidente do CDS, Francisco Rodrigues dos Santos, que apelou à renovação do apoio concedido pelos centristas em 2016, apontando-o como o “político mais bem preparado” para garantir que não haja uma “provocação artificial de eleições” para tentar impedir a “construção de uma alternativa política” de centro-direita e direita num contexto de “declínio do ciclo do PS em Portugal”.

Apesar disso, várias figuras dos centristas manifestaram-se contra o apoio a Marcelo, com o líder parlamentar Telmo Correia a descrever o Presidente da República como um “permanente defensor” do Executivo de António Costa, comentando que “à primeira caem todos e à segunda só cai quem quer”. Mas também o deputado João Almeida, derrotado por Francisco Rodrigues dos Santos no último congresso do CDS, disse que esse apoio “é algo muito difícil de compreender”.

Igualmente críticos da posição assumida pelo presidente do CDS, Cecília Meireles e Nuno Melo deixaram clara a sua posição no Conselho Nacional. “Gostava de olhar para o boletim de voto nas presidenciais e sentir-me representada, e isso não vai acontecer. E não vai acontecer porque o CDS decidiu não se fazer representar”, disse a deputada, enquanto o eurodeputado se insurgiu contra o “apoio permanente e absolutamente desnecessário ao PS e ao Governo de António Costa”.

Também Adolfo Mesquita Nunes, que chegou a ser vice-presidente durante o mandato de Assunção Cristas, deixou claro durante a reunião extraordinária do principal órgão do partido entre congressos que só não avançou com uma candidatura presidencial pela falta de apoio dos atuais responsáveis do partido. Uma hipótese que foi ponderada no início deste ano, e que permitiria aos descontentes com o primeiro mandato de Marcelo Rebelo de Sousa uma alternativa no centro-direita e direita às candidaturas de André Ventura e de Tiago Mayan Gonçalves.

No final de setembro, quando o Conselho Nacional do PSD levou a votos a moção para apoiar a recandidatura de Marcelo Rebelo de Sousa, mais de dois meses antes de esta ser confirmada pelo próprio, as reticências foram muito menores: houve 61 votos favoráveis, nove abstenções e nenhum voto contra.

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