A condição humana “by” Tobias Gutmann e Halfstudio na Underdogs

A 20 de janeiro, a galeria Underdogs, em Lisboa, inaugura duas exposições que questionam e refletem sobre a complexidade da condição humana. Um tema sempre atual e pertinente.

Halfstudio

A condição humana é um tema infindável. Sempre atual e pertinente. E se ocorrem no imediato dois livros com esse mesmo título – “A condição Humana” – e as questões por eles suscitadas, que vão do confronto entre ética pessoal e convicção ideológica, da traição e morte, amor e liberdade, no caso de André Malraux, e que na obra homónima de Hannah Arendt parte do conceito da vida ativa em relação à condição humana, definida em contraposição à vida contemplativa, nas exposições a inaugurar a 20 de janeiro na Underdogs, os ângulos são outros. Mas têm um objetivo comum: fazer pensar.

“A Journey”, do coletivo português Halfstudio, que ocupa o espaço principal da galeria, explora-se “o conceito de jornada na sua dimensão enquanto processo de concretização”. Mariana Branco e Emanuel Barreira utilizam o lettering e o sign painting para interpelar o visitante, convidando-o a experienciar, viver e reviver sentimentos, emoções e estados de espírito, através de um mapeamento demarcado em vinil no chão. Objetivo? Criar uma trajetória que ilustra as fases pelas quais os artistas passam para “chegar à concretização de uma ideia, de um sonho ou de uma transformação, abarcando tanto uma dimensão pessoal como universal”.

A linguagem visual dos artistas apela a uma “jornada” feita de cores vibrantes e mensagens impactantes, em que a vertente manual tem enorme importância. A mão enquanto veículo de execução, mas também de reflexão num mundo cada vez mais digital e frenético.

E é precisamente o digital que é convocado no espaço Cápsula, pelo artista suíço Tobias Gutmann, que “propõe uma experiência que desafia a autoperceção” e que pretende questionar a relação do ser humano “com a tecnologia e a inteligência artificial”, como realça o comunicado das exposições. Aquela que é a primeira mostra individual de Tobias Gutmann feita a partir de inteligência artificial, é o resultado da sua interação com o Sai Bot, um robô que cria retratos em tempo real, neste caso, elaborados com base em milhares de desenhos feitos pelo artista tem criado desde 2012, no âmbito do seu projeto Face-o-mat. Segundo Gutmann, quem quiser ser desenhado pelo Sai Bot, apenas terá de interagir com o robô, sentando-se à sua frente, e respondendo à suas perguntas, enquanto aquele “processa traços e características”, para depois os interpretar de forma abstrata. Gutmann já expôs no Centre Pompidou em Paris, no Museu Haus Konstruktiv em Zurique e no MUDAM no Luxemburgo, e traz agora “I can do that too!” à Underdogs. O resultado é subtil e minimal, e dá que pensar.

As duas exposições podem ser vistas na Underdogs, em Lisboa, até dia 18 de março.

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