A confiança, sempre ela

É uma figura feminina, a confiança. Inspira-nos como uma mãe ou uma deusa dos sonhos mas, no momento presente, ela, a confiança, é a garantia que muitos portugueses acreditam que falta no sistema financeiro.


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Todos os governantes, políticos, gestores e decisores reconhecem que é o maior ativo de uma economia: a confiança no sistema financeiro. E, a sua fragilidade é tão evidente que todos os Governos das últimas quatro dezenas de anos de democracia, se preocuparem em falar dela, em reinventá-la e em restaurá-la permanentemente.

Nos momentos mais recentes, desde o colapso do BPN/SLN até ao clímax da nossa história financeira e que foi a queda do BES, o tema foi sempre atormentando as mentes mais lúcidas. O medo foi-se instalando e, sobretudo, a confiança foi sendo minada.

Foram-se criando mecanismos de defesa que o aforrador e cidadão vai percebendo e vai acreditando, como seja a garantia de depósitos, as obrigações de novos rácios para os bancos que lhe conferem sustentabilidade e robustez, até aos modelos mais recentes de resolução dos bancos e onde a opção do resgate feito de fora passou para um resgate que começa dentro da instituição.

Este último modelo está a deixar todos preocupados. Não é que ele seja mau ou injusto, mas é de mais difícil compreensão ou, melhor, o cidadão passou a compreender que doravante terá de saber quem escolhe para gerir o seu aforro, porque as perdas deixaram de ser mutualizadas, ou seja, deixaram de ser repartidas por todos. Aquilo que Bruxelas quis foi castigar os maus gestores, os maus bancos e os maus reguladores que deixaram a situação chegar a este ponto.

O remédio está a matar o doente que apenas via uma constipação e que agora vê uma pneumonia. E quando assim acontece fica cego, incapaz de distinguir os bons bancos dos maus, os que merecem confiança, dos que são para abandonar.

A questão do BES tem vindo a ser absorvida pela sociedade. Diga-se o que se disser, mas foi incorporada na sociedade. Vai-se especular durante 2016 no impacto para o cidadão comum sobre a decisão tomada, mas as fugas de capitais foram contidas e até houve o seu momento caricato em que o Novo Banco canibalizou o mercado de depósitos dos seus acionistas. E tudo aconteceu com um dos maiores bancos do sistema.

Diferente é a situação do Banif, um pequeno banco, com pouca expressão nas empresas, com operações de dimensão concentradas nas Regiões Autónomas, com cada vez menos balcões, mas que com facilidade pode originar uma crise sistémica. Daqui para a frente o problema não estará apenas nos pequenos, mas poderá estar em todos.

A confiança está doente e pode ser mortal.

Por Vítor Norinha/OJE

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