A conveniência das “coisas” que comunicam entre si

A Internet das Coisas tem tudo para ser uma mais-valia para o quotidiano do consumidor e dos profissionais, proporcionando conveniência e flexibilidade na utilização dos diferentes dispositivos tecnológicos.

Se há algo que não podemos negar é o facto de estarmos atualmente a viver num ponto de viragem tecnológica em que geramos muito mais dados do que alguma vez sonhámos ser possível. E, mesmo perante um mundo de possibilidades a explorar nesta área, o certo é que são muitas as vezes em que nos encontramos a navegar sem rumo neste universo digital.

Com o aparecimento da Internet das Coisas (IoT) e do 5G, espera-se um aumento exponencial da complexidade digital, onde surgem novos dispositivos a  velocidade muito superior àquela de que precisamos para aprender a utilizá-los.

Como exemplo, pensemos no seguinte cenário: o João tem um plano de eletricidade bi-horária, aquecedor de água, um carro, um sistema de alarme e um smartwatch e todos eles estão ligados à Internet. Desta forma, consegue configurar o aquecedor para ligar às seis da manhã poupando eletricidade, mas também configurar o carro para ligar às 7h45 e ativar o alarme para as oito da manhã, a hora a que sai de casa.

Imaginemos que, num dos dias, o João acorda mais tarde, por volta das 8h30 da manhã. Isto significa que o aquecedor foi ligado inutilmente, o carro ligou-se 45 minutos antes e a polícia está à porta de casa porque recebeu uma chamada da empresa de segurança a afirmar que o alarme foi acionado às 8h10 e o proprietário não respondeu a nenhuma chamada telefónica.

Passemos agora para o caso da Joana que tem exatamente os mesmos dispositivos, mas que os configura da seguinte forma: o aquecedor para iniciar alguns minutos antes de acordar (o que é possível através do smartwatch, que deteta o momento em que começa a acordar), o carro para se ligar no momento em que chega à garagem e o alarme para ativar assim que a porta da garagem estiver fechada e o carro estiver na estrada.

Resumindo, este cenário requer instruções muito simples: ligar o aquecedor 15 minutos antes de acordar e desligá-lo depois de tomar o duche; ligar o carro quando chegar à garagem; ativar o alarme quando tiver fechado a porta da garagem. A verdade é que, ainda que estas possam ser situações comuns no dia a dia, a sua configuração em todos os dispositivos pode ser bastante complexa.

Quando pensamos em aparelhos IoT, pensamos em ferramentas que estão interconectadas, que apresentam um fluxo contínuo de dados e que são as peças-chave daquele que será o futuro “Mundo Digital”. Ainda assim, raramente estes dispositivos comunicam de forma cruzada.

Nesta lógica, consideremos um hub que permita criar interdependências e comunicação entre dispositivos e que, simultaneamente, permita a conversão de um conjunto de instruções dadas em linguagem humana em ações, aplicadas à vida real, por parte destes dispositivos.

O grande objetivo é que este hub seja acessível tanto para os utilizadores finais como para quem desenvolve estas tecnologias, permitindo aos consumidores configurar e controlar os seus dispositivos de acordo com as suas necessidades, ao mesmo tempo que permite aos profissionais integrar qualquer dispositivo no ecossistema do hub e criar automatismos.

A IoT tem tudo para ser uma mais-valia para o quotidiano do consumidor e dos profissionais, proporcionando conveniência e flexibilidade na utilização dos diferentes dispositivos tecnológicos, bem como conforto e segurança, ao permitir controlar, por exemplo, toda a casa a partir de qualquer lugar. E como mais valia que é, deve ser olhada enquanto serviço a ser comercializado e dirigido tanto aos utilizadores finais – permitindo simplificar o ecossistema de dispositivos e a interoperabilidade entre os mesmos – como aos parceiros comerciais, que publicitam estes aparelhos e outras soluções.

A Internet das Coisas veio para ficar e, como tal, é importante saber aproveitar esta nova era digital que tem vindo a crescer em diferentes áreas: na saúde, na indústria, nas cidades e em casa. É agora fundamental apostar na educação para a tecnologia, seja a nível pessoal ou a nível organizacional, para que possamos tirar o melhor partido dos novos recursos tecnológicos e da forma como estes podem “comunicar entre si”.

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