A ditadura do poucochinho

Nem todos aceitamos que um governo medíocre seja uma boa solução. Há quem acredite em Portugal e nos portugueses que lutam pela mudança. Há um caminho melhor e não temos medo de o seguir.

Vamos ser honestos: o novo Governo de António Costa é no mínimo comprido. No limite, é uma versão revista e aumentada do anterior, cujas grandes realizações de quatro anos de governação são os truques de Centeno Cativador para manter o défice controlado e um crescimento anémico pela devolução de alguns rendimentos aos portugueses, enquanto com a outra mão esses rendimentos lhes são retirados pelos aumentos de impostos indiretos.

Como qualquer não-socialista sabe, o défice controlado já vinha do anterior governo e só foi mantido à custa da maior carga fiscal de sempre. Quanto ao aumento dos rendimentos dos portugueses, quem mais beneficiou foram apenas os funcionários do Estado.

Daqui a alguns anos, na avaliação do Governo Costa não haverá nada de positivo a destacar. É um governo do poucochinho, de mediocridade, de oportunismo, sem ambição e sem visão estratégica.  É um governo que prefere o imobilismo que não dá chatices e distribui(u) esmolas para angariar votos. Que haja um governo assim, tão pouco ambicioso, infelizmente não surpreende. Durante anos habituaram os contribuintes a viver com pouco. Será que nos contentamos com migalhas ou já ninguém acredita em mais nada? Recusamos acreditar que à maioria dos eleitores lhes basta um governo que governe a sua e a nossa vidinha, e está tudo bem!

Que dor de alma chegar a este estado. Somos um povo que quando emigra revela enorme fibra, mas que em Portugal se inibe de contestar. Um povo que iniciou a globalização em Portugal, hoje aparenta medo da novidade. Um povo que saiu à rua para derrubar ditaduras, hoje aceita a ditadura do poucochinho.

A eleição de 6 de outubro foi o elogio do poucochinho. O elogio a governos que desejam um povo sereno, obediente e de brandos costumes. O elogio aos que se governam gerindo os que admitem que lhes mintam, que admitem o nepotismo, que admitem a corrupção. Passámos a aceitar o inaceitável e a baixar a cabeça enquanto afirmamos que “é a vidinha…”?

Mas haverá esperança? Houve partidos novos com novas ideias, mas logo os fatalistas do poucochinho ainda assim preferiram encontrar defeitos para justificarem a sua cobardia em relação à mudança. Se Portugal tem ido de mal a pior nas últimas décadas, deveremos continuar a aplicar os mesmos remédios? Continuar a fazer o mesmo à espera de resultados diferentes? Não será isto a definição de insanidade, como dizia Einstein? Do poucochinho é de certeza.

Mas nem todos nós aceitamos a “vidinha”. Não aceitamos a menorização dos portugueses. Não aceitamos que um governo medíocre seja uma boa solução. E sim, temos algumas razões para ter esperança. Os chamados “pequenos partidos” elegeram de uma vez três novos deputados por três partidos diferentes: Iniciativa Liberal, Chega e Livre. O PAN elegeu mais três deputados, a juntar ao solitário que já tinha. E, no total, contabilizaram-se mais de meio milhão de votos nestes pequenos e novos partidos, um crescimento de 43% sobre os 385 mil votos de 2015. E a geringonça perdeu 56 mil votos face ao mesmo período.

O Governo das prebendas e das benesses, da famosa “página virada da austeridade”, perdeu votos. E nem todos baixamos a cabeça e aceitamos a ditadura do poucochinho. Há quem acredite em Portugal e nos portugueses que lutam pela mudança. Há um caminho melhor e não temos medo de o seguir.

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