A Expulsão de Ventura

O que incomoda Ventura, cada vez mais encostado à delinquência extremista, a única com grau de tolerância ilimitado para a imbecilidade. Daí que, de expulsão em expulsão, CHEGArá o dia em que Ventura terá de assumir que quem está mal é ele, e autoexcluir-se.

Há entidades, pessoas, instituições que devem a sua existência ao facto de se falar muito delas. Muito mais do que a sua relevância natural, ou ações substantivas, justificariam.

Um desses casos é o partido Chega. Há algum tempo assumi o compromisso, para com mim próprio, de não falar sobre este partido, que a certa altura assumiu uma posição mediaticamente central na política portuguesa, totalmente incompatível com a sua real importância na sociedade lusa. De resto, e como muitas vezes acontece, são aqueles que mais se afirmam como antagonistas os que acabam por dar mais lastro ao objeto da crítica. Assim, têm sido a comunicação social e o partido socialista os maiores patrocinadores da expressão pública hiperbolizada que teve durante muito tempo o partido de André Ventura. Ambos, media e PS, alimentavam-se e tiravam dividendos da sua constante marcação ao CHEGA, numa simbiose de que este também saía claramente favorecido. Para completar o ramalhete existia o PSD de Rui Rio, que assumia alegremente o papel de idiota útil, ao reposicionar o partido anormalmente à esquerda, ao exercer uma oposição frouxa e, pior, na falta de conteúdo político para apresentar, sucumbiu à tentação de falar do CHEGA sempre que para tal era solicitado.

Mas o pior exemplo terá sido mesmo a desastrosa tentativa de aproveitamento político do acordo de incidência parlamentar que possibilitou um governo PSD-CDS-PPM nos Açores. Rui Rio, como é óbvio, nada teve que ver com aquele entendimento, entre o PSD de Bolieiro e ex-militantes sociais-democratas transformados em “cheganos” ao microondas. Ainda que para a comunicação social e opiniadores do centralismo peninsular isso seja incompreensível, as direções nacionais, pelo menos do PSD, não metem prego nem estopa na orientação política e governativa dos partidos autonómicos das regiões insulares. Sim.. são como um partido (Regional) dentro de outro partido (nacional). Mas Rio, ao querer dar a imagem que era dele a solução governativa, agarrou-se risivelmente ao CHEGA, nunca conseguindo sacudir aquela carga que então tomou.

Não admira que o partido da direita radical se sinta ameaçado com o PSD de Montenegro, pelo facto de ter agora um grande partido a navegar nas águas do centro-direita e da direita democrática, uma novidade desde a criação deste movimento político. Exemplo disso mesmo é o facto do académico Italiano Riccardo Marchi, o homem que valida e dá sustentação científica a este fenómeno partidário e às suas posições, ter começado a elogiar a ” direita fofinha”(para utilizar a expressão pejorativa do próprio Ventura) garantindo que os anti-passistas ainda voltarão a (não) liderar o espaço à esquerda do PS.

Um saco de gatos

Como é evidente a maioria dos eleitores do CHEGA não são de extrema-direita, da direita radical, nem são reacionários. São somente indivíduos não socialistas desiludidos com o “estado a que isto chegou”, órfãos de uma oposição mais acintosa, mais firme. Mais corajosa, porque não dizê-lo?

Mas também a estrutura diretiva do CHEGA é suficientemente heterogénea para reunir em si elementos de diferentes proveniências e motivações. Desde a extrema-direita delinquente, passando por oportunistas, curiosos até aos intelectuais ultra-conservadores.

Com o passar do tempo a água e o azeite vão-se afastando, como mandam as leis da física.

A qualquer crítica ou ameaça de insurreição (não tanto ideológica mas de “lugar”) segue -se uma destituição, uma expulsão. Os últimos casos tiveram como protagonistas elementos de “tribos” diferentes dentro do “partido” chamemos-lhe assim.

Desde o Chefe de Gabinete Nuno Afonso contra-face menos visível da sua fundação, e verdadeiro challenger ao lugar de presidente, passando por José Dias, que cativa o fundamental apoio das forças de segurança, sempre sequiosas de um farol partidário de patriotismo, até ao “cérebro” Mithá Ribeiro.

E é precisamente por aqui que pode quebrar a corda em prejuízo de Ventura. Existem realmente intelectuais de ultra-direita em Portugal. Na sua maioria saudosistas do tempo da outra senhora, altamente conservadores nos costumes, liberais QB na economia ( cof, cof …corporativismo) e anti europeístas em termos de geo-política.

Desse grupo fazem parte Mithá Ribeiro, Pacheco Amorim, Pedro Arroja e até, correndo por fora para manter a sua independência, a sombra paternal de Jaime Nogueira Pinto.

Este grupo até pode tolerar algumas “palhaçadas”, cientes que estas chamam à atenção e quebram aquilo que apelidam de  ‘censura” de certa comunicação social, e que esta denomina de “cordão sanitário”. Suprema ironia, não é? E já vimos que afinal alimentam-se uns aos outros.

Mas é evidente que estes assumidos “radicais” têm uma agenda própria, ideológica, programática, que vai muito além da conversa de café e das altercações com os sucessivos presidentes da Assembleia.

E querem posições claras.

O que incomoda Ventura, cada vez mais encostado à delinquência extremista, a única com grau de tolerância ilimitado para a imbecilidade. Daí que, de expulsão em expulsão, CHEGArá o dia em que Ventura terá de assumir que quem está mal é ele, e autoexcluir-se.

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