“À falta de melhor deturpam”. Rio rejeita ter afirmado que queria cortar apoios sociais

Em causa estão as críticas do deputado do BE, José Soeiro, numa crónica onde diz que Rui Rio “escolheu dizer que o problema do emprego em Portugal é haver apoios sociais a mais”.

José Coelho/Lusa

O presidente do Partido Social Democrata (PSD), Rui Rio rejeitou ter dito que queria cortar apoios sociais, esta segunda-feira, através das redes sociais.

“Eu nunca disse que queria cortar apoios sociais, disse que os queria fiscalizar melhor. O deputado do BE [Bloco de Esquerda] deturpa no seu artigo no Expresso o que eu disse. Já estamos a ver como vai ser até 30 de janeiro. À falta de melhor, deturpam; e não tem sido dito, nem vai ser, só o BE”, escreveu o social-democrata.

Em causa está um texto escrito pelo bloquista José Soeiro para o Expresso a 25 de dezembro. “As declarações de Rui Rio, que escolheu dizer que o problema do emprego em Portugal é haver apoios sociais a mais, o que justificaria as queixas dos patrões acerca da falta de mão de obra em determinados setores, são todo um programa. Pelo que afirmam, pelo que sugerem e pelo que ocultam”, referiu Soeiro na sua crónica.

O deputado do BE explicou ainda que “a proteção social em Portugal não é demais, é de menos. Quase 40% dos desempregados oficialmente registados em novembro, não têm acesso a subsídio de desemprego: 132.461 pessoas inscritas nos centros de emprego não tinham direito a proteção no desemprego e a estas somam-se as que não estão sequer inscritas”.

As declarações de Rio de que falava Soeiro foram proferidas durante congresso do PSD, a 19 de dezembro. “Não é aceitável um país com a sua classe média sufocada em impostos e em que o seu salário de referência pouco se distingue do mínimo em vigor. Assim como também não é racional manter apoios sociais a quem os usa para se furtar ao trabalho e, dessa forma, condicionar a própria expansão empresarial que, cada vez mais, se lamenta da falta de mão de obra disponível”, sublinhou Rio no discurso de encerramento do evento.

O presidente do PSD apontou ainda que “tem de haver uma fiscalização adequada para que” se possa “garantir, simultaneamente, justiça social e progresso económico”.

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