“A GroundForce não está a ser bem gerida”, afirma presidente da Swissport

O presidente e CEO da Swissport, Warwick Brady, em resposta ao Jornal Económico, num encontro com jornalistas portugueses realizado no hub de Zurique, afirmou que a Swissport consegue oferecer muito melhores serviços de handling aos aviões da TAP que a GroundForce.

Cristina Bernardo

“Gerir os serviços de handling de uma rede mundial de 285 aeroportos em 45 países é saber gerir todo o ecossistema de transporte aéreo, desde as vendas a tudo o resto”, explicou ao Jornal Económico, no aeroporto de Zurique, o presidente e CEO da Swissport, Warwick Brady. O gestor aeroportuário de origem sul-africana – que já trabalhou nas mais dinâmicas companhias de aviação, desde a easyJet à RyanAir –, aguarda a conclusão das negociações para a compra da participação de 50,1% da Pasogal na GroundForce, um processo que a Swissport já acompanha há cerca de ano e meio. Brady não tem dúvida em afirmar que “a operação da GroundForce não está a ser bem gerida, por isso sabemos que conseguimos fazer muito melhor para a frota da TAP”.

“Na Swissport temos desenvolvido o skill da boa gestão do serviço de handling aeroportuário ao longo dos últimos 25 anos, a partir da experiência de gestão do hub de Zurique, com a assistência que temos dado a grandes companhias como a Lufthansa em Munique, ou como a Finnair, no aeroporto de Helsínquia-Vantaa, na Finlândia, tal como a muitas outras, operadas a partir de outras bases de grandes dimensões, como a da easyJet em Genebra, ou como o nosso mais recente hub no aeroporto de Roma-Fiumicino”, comenta o CEO da Swissport.

“Note-se” – diz Warwick Brady – “que os trabalhadores de handling de Roma-Fiumicino serão transferidos em breve da sociedade local de handling que era participada pela Alitália, para a concessionária local da Swissport, que dará assistência em voo aos aviões da companhia aérea ITA Airways, bem como a outras companhias aéreas que operem este aeroporto de Roma”.

“Por isso, pensamos que se os portugueses quiserem ter um parceiro de longo prazo que trate das operações de handling em Lisboa, devem olhar para a Swissport como uma empresa com experiência e com capital e capacidade financeira para manter uma visão estratégica de longo prazo na gestão deste serviço nos aeroportos portugueses”, comenta Warwick Brady.

“Consideramos que a operação local em Lisboa está a ser gerida abaixo das potencialidades e acreditamos mesmo que não está a ser bem gerida, por isso sabemos que conseguimos fazer muito melhor para a frota da TAP”, considera o CEO da Swissport.

“Em termos gerais, na Swissport temos o apoio de grandes acionistas, o que permitirá que o Governo português e a TAP possam tomar as decisões certas relativamente ao seu hub”, admite o CEO, detalhando que “há cerca de um ano e meio que andamos a negociar com a GroundForce. Começa a ser uma história consideravelmente longa. Por isso, precisam de tomar uma decisão rápida, senão correm o risco deste processo se tornar enfadonho e das pessoas envolvidas serem tentadas a tomar outras decisões”, adverte o presidente da Swissport.

“Este processo já envolveu muitos recursos. Do lado português não correrão riscos se escolherem a Swissport. Temos 850 clientes em seis continentes, gerimos 285 aeroportos e 119 armazéns de carga em 45 países, dois milhões de voos realizados, 58 lounges aeroportuários, mantemos um relacionamento próximo e constante com as estruturas sindicais que representam os nossos trabalhadores”, adianta Warwick Brady.

“Temos refletido bastante nas possibilidades de potenciar a base de clientes no aeroporto de Lisboa e em toda a rede aeroportuária portuguesa operada pela GroundForce o que corresponde ao perfil da nossa atuação, porque assistimos as companhias que são líderes no transporte de passageiros para os mercados da Alemanha, para o Reino Unido, para o Brasil, ou na Holanda e, só no ano passado, assistimos os serviços prestados a 120 milhões de passageiros”, refere o gestor.

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