A insustentável falta de qualidade dos dirigentes políticos

O Estado da Nação. Tenho evitado pronunciar-me sobre o actual Quadro Político, pois vejo as pessoas agirem excessivamente, apenas por sentimentos e sobretudo por insultos uns aos outros, mais ou menos velados, com linguagem mais ou menos urbana. O que estas atitudes me dão a perceber, (dado que tenho visto as pessoas agirem e dizerem […]


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O Estado da Nação.

Tenho evitado pronunciar-me sobre o actual Quadro Político, pois vejo as pessoas agirem excessivamente, apenas por sentimentos e sobretudo por insultos uns aos outros, mais ou menos velados, com linguagem mais ou menos urbana.

O que estas atitudes me dão a perceber, (dado que tenho visto as pessoas agirem e dizerem coisas de muito baixo nível político, ético e civilizado), é que (pouco ou nada) se preocupam com Portugal, embora todos afirmem o contrário.

Pelo teor dos discursos, vejo que a maior parte dos líderes políticos apenas se preocupam com os lugares (que têm, ou querem vir a ter) ou com as influências que (perdem ou ganham) com a conquista do Poder.

E vejo pessoas de boa-fé, a maioria (tirando daqui os denominados “idiotas úteis”) deixarem-se ser levadas pela “intoxicação” que os detentores, ou os pretendentes, do Poder têm levado a efeito junto das mesmas. Isto apesar destes últimos anunciarem que as suas posições e discursos se regem por princípios éticos e morais.

Ora esta situação é grave, é um regresso à baixa política (vigente no PREC – 1975/1982) e denota uma grande falta de sentido de Estado.

Já me parece que voltámos ao “manicómio em autogestão” que caracterizou esse período negro da nossa história.

Posto isto, e procedendo a uma análise fria dos acontecimentos, direi que:

1.- Das eleições de Deputados ao Parlamento, saíram os resultados que todos conhecem.

2.- Do lado da coligação Paf,

2.1.- Reinou o convencimento, (legítimo) que a tradição se cumpriria e que governariam.

2.2.- Ainda do lado da coligação (abusivamente denominada de direita, que não é) durante 4 anos nada se fez para construir um diálogo com a oposição (tal como o fui escrevendo e dizendo) que moderasse os ímpetos da denominada “troika” e, sobretudo, com o maior partido desta (o PS).

2.3.- Durante a campanha eleitoral fez questão de não abrir nenhuma porta a possíveis entendimentos futuros (pós-eleições) e anunciou mesmo ao país que se o PS fosse governo iriamos para a bancarrota, desastre, etc. Depois das eleições já o PS foi considerado um partido responsável, essencial à democracia, europeísta, e até ofereciam ao seu líder o lugar de Vice-1º Ministro, no governo da coligação Paf, etc…

3.- Do lado do PS

3.1.- Reinou o convencimento, (legitimo), na noite das eleições, que a tradição se cumpriria e que passariam à oposição, dado terem perdido as eleições.

3.2.- Só que, e para surpresa total e geral, o PCP anunciou estar disponível para estabelecer um acordo com o PS para viabilizar um governo das esquerdas;

3.3.- Fez igualmente acusações a todos os partidos, na campanha eleitoral.

Portanto:

(A).- Não há inocentes e malvados, de parte a parte;

(B).- Os partidos sabem, desde sempre, que as Eleições em Portugal servem para eleger Deputados e NÃO Governos; Foram eles (Partidos) que fizeram a Constituição e as Normas Eleitorais; nenhum pode dizer que não sabia, ou que o que agora se passa é ilegal ou ilegítimo;

(C).- Os Governos resultam da Assembleia da República e do apoio ou não que esta dá, maioritariamente, seja qual for a forma, á formação de um qualquer Governo.

Por mim estou cansado de dizer isto há anos, mas estive a falar para o “deserto” quando adverti para este facto e para o facto de o “voto útil” só ser útil para quem o recebe e não para o eleitor;

(D). – Muito menos fingirem-se de “virgens” atacadas na sua dignidade. O que TODOS, AMBOS os lados querem é Poder, que fique claro. O que é legítimo.

Já não é legitimo é não aceitarem as regras que inscreveram na Constituição (PSD, PS, PCP, UDP, etc…) – o CDS foi o único que votou contra esta Constituição, embora tenha aprovado as suas revisões – e virem tentar desestabilizar a paz dos portugueses em nome de coisas que nada têm a ver com a REALIDADE, por eles construída.

  • Muito menos fingirem-se de “virgens” atacadas na sua dignidade.
  • Muito menos descerem aos níveis de insulto que estamos a ver.
  • Muito menos tentarem manobras insultuosas para a inteligência dos Cidadãos Comuns Portugueses, ao insinuarem que se pode rever a Constituição e outras coisas menos dignas de quem detém os mais altos cargos da Nação.

4.- O futuro e o meu comentário final

4.1.- Já todos sabem das hipóteses que o Presidente tem de resolver a situação.

4.2. – Sempre defendi, e continuo a defender que (no regime de República) a forma de Governo que melhor serviria a clareza política e a dignidade dos órgãos de Soberania do Estado, deveria ter a seguinte configuração:

(a).- Regime Presidencialista – Os portugueses elegeriam o Presidente da República que nomearia o seu Governo e governaria o país, tal com acontece em França, nos Estados Unidos, etc…;

(b).- O Parlamento seria o órgão legislativo e de vigilância das práticas governativas.

Tudo ficaria mais claro e honesto.

Não sendo assim, temos a confusão que se vê, agravada pela pouca qualidade da generalidade dos ocupantes dos lugares de topo da política.

Nota final:

Faço um apelo a todos os portugueses para que não tomem para si as dores de quem vê o Poder fugir-lhe, ou de quem quer o Poder.

Isso, infelizmente, em nada afecta os cidadãos na vida do dia a dia.

Afecta sim as medidas que cada um dos partidos quer tomar.

E neste caso, lamento dizer que não vejo diferenças substantivas entre nenhuma das propostas que estão em cima da mesa.

A única diferença é:

Do lado da Paf, querem manter os cortes aos cidadãos e devolver o poder de compra em 4 anos.

Do lado do PS e seus aliados, querem devolver esses cortes, em dois anos, compensando a diminuição de receitas do Estado com outras medidas que, anunciam, irão ser dirigidas aos resultados do crescimento previsto e a outros grupos da população que estiveram fora da denominada “austeridade”.

Não há mais diferença nenhuma, infelizmente pois gostaria de ver adoptadas outras medidas que apoiassem o desenvolvimento, tal como o venho escrevendo desde 2008.

Faço pois um apelo à calma dos cidadãos. Deixem os políticos fazer as “tristes” figuras que têm feito e que ainda durarão algum tempo.

E, em próximas, eleições para as direcções dos partidos, e para a direcção do país, escolham outros intervenientes, outras pessoas.

Sejam mais exigentes ao escolherem quem vos vai dirigir.

Miguel Mattos Chaves

Vice-Presidente da Comissão Europeia da Sociedade de Geografia, Gestor, Doutorado em Estudos Europeus (dominante: Economia), Auditor de Defesa Nacional

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