A longa guerra

Olhando para todos os intervenientes, não é do interesse de nenhuma das partes que a guerra acabe rapidamente.

A Rússia não está interessada em parar. Os objetivos não estão cumpridos e o regime de Putin tem de mostrar, para fora e para dentro, que realmente ainda é uma superpotência.

Cada vez mais acantonada, pressionada e descapitalizada, a Rússia, vulgo o seu regime, poderá equacionar uma fuga para a frente se o stresse de guerra se tornar insuportável. Moscovo sabe que nada será como dantes e vive um dilema de “matar ou morrer”.

À Ucrânia não resta senão combater. Conseguida a proeza de tornar a guerra longa, depara-se agora com o pesadelo de isso significar um longo calvário.

O Ocidente continuará a ajudar, mas só na justa medida, sem colocar homens no terreno nem uma força verdadeiramente decisiva. Zelensky terá que continuar a lutar pela sua sobrevivência e da nação. Desistir não é uma opção.

Depois da Covid-19, a União Europeia (UE) encontrou neste conflito uma nova prova de vida e uma oportunidade de aglutinação de políticas e de vontades. A atitude da União neste conflito, que é coerente com os seus valores e ADN, é uma jogada de all-in.

Um desalinhamento dos Estados-membros neste tema significaria, provavelmente, o fim da UE. Portanto, mudar de rumo é inconcebível e isso implica uma guerra longa.

Os EUA são, provavelmente, quem tem mais a ganhar. Esta guerra constitui a hipótese de se reafirmarem como a maior potência, de encontraram um mercado amplo e duradouro para o seu gás de xisto e ainda podem enfraquecer um concorrente histórico.

Aos EUA interessa uma guerra longa, de desgaste diário dos russos nas frentes económica, política e militar. É do seu interesse prolongar ao máximo esta guerra, pelo menos até às eleições de novembro.

O papel da China tem sido menos discutido. Sempre com um discurso crítico em relação ao Ocidente, e aos EUA em particular, Pequim também está interessada em enfraquecer a Rússia e cobiça os despojos de uma hecatombe em Moscovo, enquanto aproveita a sua posição negocial na energia e matérias-primas.

A China não tem aliados e muito menos seria a Rússia, pelo que nada fará para abrandar este conflito.

Recomendadas

Wall Street recupera e vai de fim de semana com subidas

Ainda assim, os títulos da Meta Platforms, que detém o Facebook, deslizaram após vir a público que a empresa liderada por Mark Zuckerberg está a cortar os planos de contratação de engenheiros, antecipando uma eventual desaceleração económica.

PSI fecha no verde com EDP Renováveis a disparar mais de 5% e EDP mais de 4%

Apesar da leitura preliminar da inflação, no mês de junho, ter registado um novo pico, acima do esperado, os mercados não reagiram negativamente. Ainda assim as bolsas da Europa fecharam mistas. Energia e utilities em forte alta.

Wall Street entra em julho com o pé esquerdo

O sector dos semicondutores está a cair após a empresa Micron Technology, fabricante de chips, ter apresentado um ‘guidance’ fiscal para o quarto trimestre que desiludiu o mercado. As concorrentes perdem mais de 2% no arranque da última sessão da semana.
Comentários