A polémica do Lítio. Afinal qual é o nosso problema?

Quer se goste, quer não, um país pobre como o nosso não se pode dar ao luxo de deixar de tentar tirar partido dos (poucos) recursos que dispõe, mas caso escolha ir por esse caminho, também tem de aceitar as consequências.

Olhando para os factos, é uma realidade que o lítio é abundante em Portugal e o nosso país tem o potencial de se tornar o 5.º produtor a nível mundial.

Por outro lado, se é certo que o século XX foi o século do petróleo, no qual assentaram a maior parte das necessidades energéticas do mundo e particularmente na nossa mobilidade, é um facto que hoje assistimos cada vez o mundo a se virar para a solução eléctrica, com o advento dos telemóveis e dos automóveis eléctricos, com os fabricantes de automóveis cada um a ir paulatinamente anunciando o fim da produção de veículos movidos a gasóleo (e a seu tempo também a gasolina).

Ou seja, quer se goste quer não, quer os telemóveis, quer os automóveis elétricos, quer toda a parafernália tecnológica existente hoje em dia (e que vai surgir ainda mais no futuro), necessita de lítio para as suas baterias, que é precisamente o metal em que Portugal é abundante.

Ao longo da História, quer se goste quer não, muitos dos países ricos a nível mundial foram precisamente aqueles que, sem falsos moralismos e com pragmatismo, exploraram os recursos nos quais eram abundantes vendendo esses recursos aos países que deles necessitavam. Foi especialmente assim nos Emirados Árabes Unidos, em que a venda de petróleo representou (e ainda representa) o pilar do desenvolvimento destes países.

No entanto, no eterno “fado português”, quando se percebeu que Portugal tinha reservas importantes de lítio e que este metal era muito importante para as soluções energéticas do futuro, apressaram-se uns tantos a tentar “detonar” a exploração do lítio em Portugal por “razões ambientais”, quando a solução elétrica vem tentar precisamente contribuir para o ambiente e eliminar as soluções energéticas que têm a sua origem na queima de combustíveis fósseis.

É importante que todos nós percebamos que Portugal é um país pequeno, com um mercado pequeno e que se situa longe do eixo da Europa e que basicamente tem de importar praticamente tudo o que necessita, o que provoca um desequilíbrio crónico na sua balança comercial.

Quer se goste, quer não, um país pobre como o nosso não se pode dar ao luxo de deixar de tentar tirar partido dos (poucos) recursos que dispõe, mas caso escolha ir por esse caminho, também tem de aceitar as consequências. Não podemos boicotar a exploração dos recursos do país por motivos completamente fúteis para depois passarmos a vida a nos queixar que a carga fiscal é alta, quer os serviços públicos não são bons e que a economia não funciona. Afinal qual é o nosso problema?… Vale a pena pensarmos (todos) nisto…

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