A suprema libertação do Jazz está prestes a tomar conta de Guimarães

De 10 a 19 de novembro, essa música urgente a que chamamos jazz vai estar novamente no epicentro da ação do Guimarães Jazz, que este ano celebra a sua 31ª edição com um cartaz poderoso.

Big Band da ESMAE

O Guimarães Jazz, um dos festivais incontornáveis da cidade-berço, está de volta para a sua 31ª edição, entre 10 e 19 de novembro. A abertura está a cargo da cantora Dianne Reeves, multipremiada e vencedora de cinco Grammys, que sobe ao palco do Centro Cultural Vila Flor (CCVF) acompanhada por Peter Martin, Romero Lubambo, Reuben Rogers e Terreon Gully.

No segundo dia do festival, sexta-feira, o CCVF recebe, às 21h30, o concerto de concerto do Linda May Han Oh Quartet, com Linda May Han Oh no contrabaixo, Greg Ward no saxofone, Matthew Stevens na guitarra e Jeff Ballard na bateria. O quarteto atua em substituição do concerto de Archie Sepp 4tet, cancelado por motivo de doença do músico.

O cartaz da 31ª edição do Guimarães Jazz está, aliás, recheado de nomes fortes da cena jazzística nacional e internacional. Caso de Hamid Drake’s Turiya: Honoring Alice Coltrane, com Drake – verdadeira instituição do lado mais libertário do jazz – aos comandos numa homenagem à música de Alice Coltrane, hoje mais admirada e ouvida do que no seu próprio tempo. O naipe de músicos que subirão ao palco é bastante eclético, composto por músicos europeus e norte-americanos, a que se juntará a dançarina Ndoho Ange, na vertente performance e spoken word.

No cardápio figuram ainda Benjamin Koppel com Anders Koppel e Kristoffer Sonne. Anders e Benjamin, respetivamente pai e filho, são um exemplo, como tantas vezes acontece no jazz, de uma família de grande tradição musical, iniciada por Herman D. Koppel, famoso compositor clássico dinamarquês. O trio que se apresenta em Guimarães une duas gerações da música dinamarquesa, aqui complementadas pela presença do baterista Martin Andersen.

Saltando no tempo para completar os concertos de grande perfil, fica a nota de que David Murray, o aclamado saxofonista norte-americano, vai apresentar-se numa nova versão do seu icónico Octeto, no dia 18 de novembro. Uma formação que marcou toda a década de 1980 e 1990 e que agora surge com um alinhamento renovado, onde pontuam a emergente saxofonista Tamar Osborn, o contrabaixista Brad Jones, o já referido Hamid Drake e vários músicos de ascendência latino-americana.

Percorrendo o calendário, percebe-se que o Guimarães Jazz mantém na sua identidade a componente orquestral, representada na edição de 2022 por duas orquestras portuguesas muito distintas, mas ilustrativas da riqueza e diversidade da cena jazzística nacional.

A Orquestra de Jazz de Matosinhos (OJM), que atua às 21h30 de dia 19 de novembro, e que desde a sua génese cruza as dimensões criativa e pedagógica. Considerada uma instituição de referência nacional, a OJM tem a seu cargo o encerramento da edição do Guimarães Jazz 2022 com a apresentação do espetáculo “Jazz in the Space Age”, um concerto que pretende homenagear George Russell, através da interpretação do seu álbum homónimo.

A Orquestra de Guimarães volta a marcar presença no festival, dia 17 de novembro, com um concerto que celebra os 20 anos da edição de uma obra marcante do jazz de fusão com as raízes de música tradicional oriunda da Península Ibérica: o álbum “Ibéria” do guitarrista Manuel de Oliveira, que contou com dois dos grandes nomes do jazz espanhol, Carles Benavent e Jorge Pardo.

No dia 13, a Big Band da Escola Superior de Música e Artes do Espetáculo atua, dirigida por Victor Garcia, com entrada gratuita, enquanto no CIAJG – Centro Internacional das Artes José de Guimarães será apresentado o projeto “matriz motriz”, do guitarrista Mané Fernandes.

Paralelamente aos concertos, vão decorrer as já incontornáveis jam sessions – no Café Concerto do CCVF, de 10 a 12 de novembro, entre as 00h e as 02h – e as oficinas de jazz, entre 14 e 18 de novembro, das 14h30 às 17h30, orientadas por Victor Garcia, trompetista da cena jazzística de Chicago, que irá atuar com o seu Victor Garcia Group no Pequeno Auditório do CCVF, às 17h00 de dia 19 de novembro.

Os bilhetes para o Guimarães Jazz já se encontram à venda. Consulte aqui toda a programação.

Recomendadas

“Annie Ernaux, os anos super 8”: juntar o íntimo ao social e à História

O público português pode marcar encontro com a escritora francesa Annie Ernaux, Nobel da Literatura 2022. No grande ecrã, estreia um documentário que é também um retrato social, a 15 de dezembro, e nas livrarias irá encontrar a reedição de uma obra sua esgotada há 20 anos.

António Costa e a maldição do sete. Ouça o podcast “Maquiavel para Principiantes”

“Maquiavel para Principiantes”, o podcast semanal do JE da autoria do especialista em comunicação e cronista do “Jornal Económico”, Rui Calafate, pode ser ouvido em plataformas multimédia como Apple Podcasts e Spotify.

Didier Fiúza Faustino: 30 anos a questionar

Os projetos do “artista-arquiteto” franco-português, como o próprio se define, são marcados pelo questionamento do papel político da criação e da nossa posição enquanto sujeitos e cidadãos. O MAAT, em Lisboa, dedica-lhe uma retrospetiva que Faustino vê mais como um exercício prospetivo.
Comentários