A tormenta anunciada

O drama é que o periclitante banquete das oferendas de hoje traz sempre a prolongada e penosa fatura da despesa de amanhã. É este o já estafado aviso que os nossos parceiros internacionais nos dão. O eleitorado percebeu maioritariamente isso nas últimas eleições. O parlamento, com a sua providencial e oportunista maioria negativa de esquerda, não quis perceber


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A agência noticiosa Associated Press, que nenhum interesse ou concubinato tem com os partidos políticos portugueses, adiantou no dia da tomada de posse do novo Governo da nação, que “Uma aliança anti-austeridade, que inclui os partidos radicais de esquerda, assume o poder. Uma economia instável e uma grande dívida ameaçam a economia nacional. O resto da Europa observa com um olhar desconfiado. Parece familiar? Não é a Grécia, mas um outro país da Zona Euro: Portugal”.

É um pouco este o retrato externo do nosso país, que volta assustadoramente a ser comparado com a Grécia do Syriza.

Mas se lá fora impera o receio e o risco de mais uma deriva nacional, por cá 17 ministros e 41 secretários de estado, devidamente comandados pelo inefável António Costa e seguros por arames pela calculista dupla Catarina/Jerónimo, estão prontos a protagonizar um olímpico e confiante exercício de reabilitação patriótica.

Para quem chegou ao poder com ‘métodos de David, a empreitada é de Golias’. Na função pública, o neófito executivo obriga-se a proceder a uma reversão dos cortes salariais aplicados aos funcionários públicos, com a sua reposição gradual, mas integral, já em 2016, sendo ‘25% no primeiro trimestre; 50% no segundo; 75% no terceiro; 100% no quarto”. Na Sobretaxa de IRS, o ressuscitado dr. Costa pretende fazer uma “correção ao enorme aumento de impostos sobre as famílias” e, para isso, garante a extinção da sobretaxa em sede de IRS entre 2016 e 2017. Sempre a somar, propugna ainda aumentar o Salário Mínimo Nacional por forma a que atinja os 600 euros em 2019, adiantando que vai propor “em sede de concertação social” uma trajetória que permita cumprir este objetivo, que começará com 530 euros em 2016, 557 euros em 2017 e 580 euros em 2018. Nas pensões, a troika PS/PCP/BE, assegura o “aumento anual das pensões” já a partir de janeiro, uma medida que o Eng. Sócrates congelou em 2010, pouco tempo depois de, em vésperas de eleições, ter aumentado em mais de 3% os vencimentos da função pública!!! A Taxa Social Única paga pelos trabalhadores com salários inferiores a 600 euros vai ser reduzida em 4% até 2018. É tudo? Não, nem pensar. O PS, sempre solícito a gastar o que os outros criaram, vai gerar o chamado Complemento Salarial Anual – uma nova prestação social – para “proteger o rendimento dos trabalhadores que, em virtude de baixos salários e de uma elevada rotação do emprego, ao longo do ano não auferem rendimentos que os coloquem acima da linha da pobreza”. E vai, claro está, aumentar as prestações do abono de família. No IRC, o empossado governo promete alargar o sistema de estímulos fiscais às PME e criar um sistema de incentivos à instalação de empresas e ao aumento da produção nos territórios fronteiriços, “através de um benefício fiscal, em IRC, modulado pela distribuição regional do emprego”.

Não podia faltar a redução do IVA na restauração, que vai ser reposto nos 13%. Nem a cláusula de salvaguarda do IMI, que vai ser reintroduzida para limitar a 75 euros anuais os aumentos do imposto a pagar decorrentes de reavaliação do imóvel destinado a habitação própria permanente.

Vamos todos receber mais e trabalhar menos. Nos feriados, o PS compromete-se a repôr em 2016 os quatro feriados que foram eliminados, primeiro os civis e depois os religiosos.
Nas privatizações, o PS tudo fará para ser fiel às ideologias estatizantes das suas muletas da esquerda.
Vai procurar manter “a titularidade sobre a maioria do capital social da TAP”, anular as concessões e privatizações em curso nos transportes coletivos de Lisboa e Porto e reverter a fusão dos sistemas de captação de água em alta, travando a privatização da Empresa Geral do Fomento (EGF), gestora do tratamento de resíduos sólidos.

Tudo à grande. Quem vier a seguir que se amanhe.

Tirando estes dois últimos ensaios, que têm algo de conceptual a suportá-los, não haverá nenhum português que, em abstrato, discorde dos restantes. Mais receita e menos despesa nos nossos bolsos, não sendo uma regra de vida, é um desejo para a vida.

O drama é que o periclitante banquete das oferendas de hoje traz sempre a prolongada e penosa fatura da despesa de amanhã. É este o já estafado aviso que os nossos parceiros internacionais nos dão. O eleitorado percebeu maioritariamente isso nas últimas eleições. O parlamento, com a sua providencial e oportunista maioria negativa de esquerda, não quis perceber.

Mas calma, um dia de cada vez. O que não se sabe lá fora, é que cá dentro não se costuma viver mal durante os Governos do PS. Só depois!

Carlos Peixoto
Deputado do PSD

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