A tradição ainda conta: Olaf Scholz em Paris na sua primeira visita como chanceler

O novo chanceler alemão reservou esta sexta-feira para efetuar a sua primeira visita ao exterior e a França foi como sempre o seu destino. Em cima da mesa algo de novo e cada vez mais na ordem do dia: Maastricht é para flexibilizar ou não?

O novo chanceler alemão, Olaf Scholz, reservou esta sexta-feira para fazer a sua primeira visita ao exterior e escolheu Paris como destino – dando conta, por um lado, que Berlim continua a reservar a Paris um lugar de destaque, mas também porque a França assumirá a partir de 1 de janeiro próximo a presidência do Conselho da União, em substituição da Eslovénia.

Aliás, dizem os jornais franceses, a presidência francesa esteve no centro da agenda, com Scholz a afirmar que conta com Emmanuel Macron para realizar uma série de projetos durante o primeiro semestre de 2022.

Seguindo uma longa tradição do período pós-guerra, o social-democrata, que sucedeu Angela Merkel na passada quarta-feira, foi a Paris mal tomou posse e foi recebido por Emmanuel Macron para um almoço de trabalho em grande parte dedicado à Europa.

A questão da flexibilização ou não dos critérios de Maastricht esteve em debate. “Trata-se de manter o crescimento gerado pelo pacto de recuperação. Ao mesmo tempo, devemos trabalhar na solidez das nossas finanças ”, disse Scholz em conferência de imprensa conjunta. E acrescentou ter a certeza de que Paris e Berlim “chegarão a conceitos comuns sobre esta questão”. “Esta questão” é simples: Macron quer flexibilizar os critérios definidos há quase 30 anos, mas Scholz hesita – até porque uma parte do seu governo é contra.

Emmanuel Macron concordou, como Olaf Scholz, que é necessário “manter um orçamento sério” na zona euro, mas também sublinhou a necessidade de “manter o crescimento” na Europa e “construir” novas indústrias.

Quando deixar Paris, Olaf Scholz viajará a Bruxelas para se encontrar com os líderes das instituições da União Europeia e preparar a cimeira europeia dos dias 16 e 17 de dezembro – naquela que será a sua primeira imersão no espaço europeu enquanto substituto de Angela Merkel, a alemã que nos últimos 16 anos ‘mandou’ nas cimeiras.

Neste contexto, a presença do novo chanceler é aguardada com grande expectativa e os adeptos da flexibilização de Maastricht e da manutenção dos critérios estão na expectativa de poderem ter uma resposta mais clara sobre qual será a posição de Berlim nesta matéria. A dúvida é se Scholz seguirá os passos da Merkel dos primeiros anos, inflexível face aos devaneios dos países do sul, ou os da Merkel dos anos mais próximos, que pouco fez para manter os 3% do défice e o endividamento face ao PIB como linhas vermelhas intransponíveis.

Uma primeira nota parece dar vantagem aos adeptos da flexibilização: Berlim vai liberar este ano 60 mil milhões de euros de fundos públicos para financiar “investimentos para o futuro” , em particular para atingir os objetivos climáticos da nova coligação, anunciou esta semana o ministro alemão das Finanças, Christian Lindner. Estes fundos serão retirados de parte das novas dívidas contraídas no âmbito do orçamento de 2021 para fazer face à pandemia e que não foram utilizadas.

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