A Ucrânia na rota da OTAN

Esta semana foi divulgada a notícia que a Ucrânia estaria disposta a trabalhar em conjunto com a OTAN (Organização Tratado do Atlântico) para uma convergência que permita este país se juntar à organização. O prazo estabelecido para este processo é um ano. Dada a situação que se vive na fronteira leste da Ucrânia e no […]

Esta semana foi divulgada a notícia que a Ucrânia estaria disposta a trabalhar em conjunto com a OTAN (Organização Tratado do Atlântico) para uma convergência que permita este país se juntar à organização. O prazo estabelecido para este processo é um ano. Dada a situação que se vive na fronteira leste da Ucrânia e no próprio território ainda ucraniano é de antever dias de tensão entre o Ocidente e a Rússia.

Também durante o passado fim-de-semana, recebi o relatório sobre as eleições de 26 de Outubro de 2014, elaborado pelo Instituto para a Democracia e Progresso Social, da Ucrânia. Este documento aponta para uma eleição disputada, em que houve uma forte presença de argumentos populistas. O relatório refere, ainda, a manutenção da forte presença de oligarcas no período das eleições e que acabaram por ser eleitos, com uma forte ligação aos media locais. É ainda mencionada a baixa participação feminina entre os deputados, apesar de uma pequena subida de 1,5%. Quer isto dizer, que em toda a Ucrânia da zona ocidental, existe uma forte vontade de aproximação ao Ocidente e dos seus valores. Os eleitos perceberam que essa seria a forma de captar o voto do eleitorado. Vinca-se, portanto, que os partidos pro-europeus foram os mais votados.

Não se votou em 27 distritos por se encontrarem em zonas de conflito ou na Crimeia. Durante a campanha para além da promessa de reformas profundas, conducentes à recuperação socioeconómica do país, também foi prometida a recuperação das zonas agora em conflito ou que foram anexadas pela Rússia e a construção de um muro de segurança.

Contudo, existem indícios preocupantes que apontam que esta aproximação à OTAN, se relacionada com estas promessas pré-eleitorais, seja entendida do lado russo como uma declaração de hostilidade. Nem a Ucrânia nem a Europa ganhariam com isso. E até as promessas populistas se poderiam rapidamente desgastar, por incapacidade de serem mantidas. A construção de muros, não impede o seu derrube, este acaba por acontecer, só que com custos acrescidos.

O maior risco que se corre e que deve ser impedido pela Europa a todo o custo é que a aproximação da Ucrânia à Europa e ao Ocidente se confunda com a hostilização da Rússia. Uma Europa em paz precisa da contribuição positiva de todos os países do continente. E, afinal, a Ucrânia ainda precisa de tempo para construir a sua estabilidade interna e de procurar soluções negociadas para os territórios em conflito. A ausência de notícias sobre esta disputa não tem feito parar o número de vítimas. A distância com que esta guerra em curso é vista poderá levar a que seja esquecida. Mas quando se fala da Ucrânia, estamos também a falar deste conflito, sem fim à vista.

Cátia Miriam Costa
Investigadora do Centro de Estudos Internacionais, ISCTE – IUL

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