“A verdade há-de imperar”, diz Isabel dos Santos no Twitter depois de ver contas bancárias arrestadas

Num post publicado por volta das 20h00 no Twitter, Isabel dos Santos deixou “uma mensagem de tranquilidade e confiança” às suas equipas. “Vamos continuar, todos os dias, em todos os negócios, a dar o nosso melhor e a lutar por aquilo que eu acredito para Angola”.

Toby Melville/Reuters

O Tribunal Provincial de Luanda arrestou as contas bancárias e as participações sociais que Isabel dos Santos detinha em diversas empresas esta segunda-feira, 30 de dezembro, e a filha do ex-presidente de Angola recorreu ao Twitter para acalmar as pessoas com quem trabalha.

Num post publicado há cerca de uma hora (por volta das 20h00) no Twitter, Isabel dos Santos deixou “uma mensagem de tranquilidade e confiança” às suas equipas. “Vamos continuar, todos os dias, em todos os negócios, a dar o nosso melhor e a lutar por aquilo que eu acredito para Angola”.

“O caminho é longo, a verdade há-de imperar”, vincou Isabel dos Santos. E terminou o posto apelando à união: “Unidos somos mais fortes” e colocou a hashtag #porangola.

Na fundamentação do despacho do Tribunal Provincial de Luanda, o Estado angolano celebrou um contrato para criar a empresa Esperaza Holding, através das estatais Sonangol e Exem Energy, esta de direito holandês. A Esperaza Holging é detida em 60% pela Sonangol e 40% pela Exem Energy, sendo desta os beneficiários últimos Isabel dos Santos, o seu marido Sindika Dokolo e o português Mário Leite da Silva.

“Para a concretização deste negócio, o Estado angolano, através da Sonangol, entrou com 100% do capital, correspondente a 193.465.406,23 euros, tendo emprestado à Exem Energy BV 75.075.880,00 euros, valores não devolvidos até à presente data”, segundo um comunicado da Procuradoria Geral da República de Angola, ao qual o JE também teve acesso.

Segundo a PGR angolana “houve uma tentativa de pagamento da dívida por parte dos requeridos [dos Santos, Dokolo e Leite da Silva] em kwanzas, facto que foi rejeitado em virtude da dívida ter sido contraída em euros”.

Além desse montante, houve ainda outro empréstimo do Estado angolano para investir na empresa suíça De Grisogono, no valor de 146.264.434,00 dólares, por intermédio do BIC. Os três empresários constituiram a sociedade tributária Victória Holding detida em partes iguais pela Exem e pela SODIAM.

“Com a realização destes negócios, o Estado angolano teve um prejuízo de 1.136.996.825,56 dólares”, acrescenta a fundamentação. É com base nesta perda que o Tribunal Provincial de Luanda decretou os bens.

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A decisão judicial, pedida pelo Estado angolano, a que o Jornal Económico teve acesso indica que está em causa a não devolução de um financiamento que a Sonangol tinha constituído para pagar a entrada da Exem — cujos beneficiários são a empresária e o marido — numa empresa controlada pelo Grupo Amorim e dessa forma, indiretamente, na portuguesa Galp Energia.
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