ABAMA acusa Miguel Albuquerque de “falta de caráter e má-fé” por afirmar que produtores de banana são “muito bem” pagos

A ABAMA repudia ainda o facto da Gesba receber ajuda comunitária que a própria empresa gere, fiscaliza e atribui, sem fiscalização de uma “identidade externa”. Para a associação, a comercialização da banana deveria ser feita por organizações ou agrupamentos de agricultores, e não por uma empresa pública. “Será que não há conflito de interesses?”, questiona.

A Associação de Organizações de Produtores da Banana da Região Autónoma da Madeira (ABAMA) acusou o presidente do Governo Regional, Miguel Albuquerque, de “desorientação e total desconhecimento, falta de carácter e a má-fé” ao afirmar que “a banana é muito bem paga ao produtor”.

“A ABAMA lamenta a desorientação e total desconhecimento, falta de carácter e a má-fé do Sr. Miguel Albuquerque e da GESBA, em afirmar que a banana da madeira é muito bem paga ao produtor, atirando areia para os olhos dos agricultores e da população em geral”, refere a associação em comunicado, referindo-se a declarações proferidas pelo chefe do Governo Regional na inauguração do Museu da Banana.

A ABAMA critica ainda a Empresa De Gestão Do Sector Da Banana (Gesba), uma empresa pública, a qual foi inicialmente constituída com o objetivo de resolver os problemas do setor da banana da região e aumentar o rendimento dos produtores.

Para a ABAMA esta foi “uma falsa promessa”, pelo que a Gesba “foi constituída para defraudar escandalosamente a ajuda comunitária da banana do agricultor”.

A Associação mais informa que a ajuda comunitária passou de 0,059 euros por quilo em 2005, para 0,446 euros por quilo a partir do ano de 2007″ resultando em menos 0,30 euros por quilo de banana ao preço pago ao produtor.

“Em 2005, a banana paga ao produtor por categoria era: banana extra 0,60 euros por quilo; Banana de primeira 0,51 euros por quilo e banana de segunda 0,30 euros por quilo, mais a ajuda comunitária; em 2022 a GESBA paga ao produtor por categoria: banana extra 0,268 euros por quilo; banana de primeira 0,178 euros por quilo e Banana de segunda 0,074 euros por quilo, mais a ajuda comunitária”.

A ABAMA repudia ainda o facto da Gesba receber ajuda comunitária que a própria empresa gere, fiscaliza e atribui, sem fiscalização de uma “identidade externa”. Para a associação, a comercialização da banana deveria ser feita por organizações ou agrupamentos de agricultores, e não por uma empresa pública. “Será que não há conflito de interesses?”, questiona.

Deste modo, a associação, representada pelo diretor, Antonino de Abreu, “vem solicitar respeito pelos agricultores, que estão a sofrer grandes dificuldades financeiras, com os aumentos dos produtos fitossanitários, luz, água, salários, etc”, afirmando que “não aceitamos que seja enviada para a Meia-Serra a banana que produzimos, deixando-a apodrecer em cima da terra, prejudicando o agricultor que não recebe dinheiro pelo seu trabalho e o consumidor final que fica impedido de conseguir um preço mais acessível. Só quem não derrama suor e lágrimas no seu trabalho é que pode ficar indiferente a este desperdício”.

A ABAMA lembra ainda que o Governo Regional fez publicar uma Portaria que “na prática impede que outras entidades possam comercializar a banana da Madeira”, o que associação considera um ato de proteção ao monopólio da banana, “à semelhança daqueles que havia no regime de Salazar”.

 

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