Aborto nos EUA. Fundador da Prozis responde a críticas de influencers: “Tentar destruir alguém pelas suas ideias é um sinal dos tempos” (com áudio)

“Acredito que esta politica de cancelamento possa destruir muitas vidas , principalmente destes tais influencers. Hoje sou eu, amanhã serão eles. É uma questão de tempo”, disse Miguel Milhão em resposta às críticas. Pelo menos, quatro embaixadoras da marca já anunciaram o fim das parcerias.

Uma frase sobre o fim do direito constitucional ao aborto nos Estados Unidos da América colocou o fundador da Prozis debaixo de fogo.

Nas redes sociais, choveram críticas a Miguel Milhão pelas suas declarações, com influencers e artistas a virem a público criticar o empresário e com alguns anúncios de cancelamento de parcerias com a marca portuguesa de nutrição desportiva por discordarem da posição de Miguel Milhão sobre este tema.

“Parece que os bebés por nascer ganharam de novo direitos nos EUA! A natureza está a curar-se!”, escreveu o empresário nas redes sociais. A sua publicação no Linkedin gerou 924 comentários com muitas críticas ao seu post e 702 gostos.

A atriz Marta Melro foi uma das que anunciou o cancelamento da parceria com a marca. “Sem necessidade de me alongar, informo que não sou mais embaixadora da marca Prozis”.

Também a atriz e cantora Diana Monteiro anunciou o fim da sua relação com a marca: “Fico muito chocada. Enquanto esta pessoa estiver na direção não posso continuar com a marca. Se algum dia, o Miguel não fizer parte da direção, e esta marca voltar a representar os valores em que eu acredito, terei todo o gosto em voltar, agora não consigo”, afirmou a atriz e cantora que é embaixadora da Prozis há seis anos.

Questionado pelo Jornal Económico, Miguel Milhão rejeita as críticas e considera que está a ser vítima de uma política de cancelamento por ter exprimido uma opinião sobre o tema do aborto nos EUA.

“A única coisa que posso dizer é que existem pessoas que não permitem os outros terem uma opinião diferente. Se os influencers não quiserem trabalhar com a Prozis como forma de penalizar a livre expressão das minhas ideias, então vemos bem a democracia que existe em Portugal. Democracia para mim, mas não para para ti parece ser o lema”, disse ao JE.

“Eu no entanto preferiria passar fome do que ser obrigado a mudar as minhas ideias. Estou pronto todos os dias para discussões construtivas que me possam tornar um ser humano melhor. Agora tentar destruir alguém pelas suas ideias é um sinal dos tempos. A mim, no entanto, não me faz espécie porque não vivo em Portugal e não dependo do país para nada. Mas acredito que esta politica de cancelamento possa destruir muitas vidas , principalmente destes tais influencers. Hoje sou eu, amanhã serão eles. É uma questão de tempo”, acrescentou o empresário.

Também a apresentadora da RTP Rita Belinha anunciou o cancelamento da sua parceria. “E assim chega ao fim uma parceria. Não verão mais publicidade no meu Instagram a esta empresa. É uma questão de princípio. Os valores por detrás das empresas, para mim, são fundamentais na hora de escolher com quem trabalho. Quando esses valores vão contra as minhas maiores convicções, a decisão torna-se fácil”, escreveu a ex-embaixadora da Prozis.

Outra embaixadora a deixar a marca foi Tânia Argent: “Após ter recebido logo de manhã o print da publicação do fundador e dono da Prozis a propósito do que se está a passar nos EUA relativamente ao aborto, eu senti que não poderia continuar a minha parceria com eles. Afinal, a minha ética não está à venda”.

A marca de suplementos desportivos foi fundada em 2006 por Miguel Milhão, que hoje vive em Miami nos Estados Unidos. Atualmente, a Prozis é liderada por Jorge Silva e tem sede em Esposende, contando com uma unidade fabril em Póvoa de Lanhoso.

A marca é conhecida pela sua postura discreta, preferindo focar-se numa estratégia de comunicação junto de parcerias com os seus embaixadores, pessoas com notoriedade ou com base alargada de seguidores nas redes sociais.

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