Acabou a festa: Expo Dubai 2020 fechou as portas

Foi adiando por causa da pandemia, mas os quase seis mil milhões de euros ali investidos e os cerca de 23 milhões de visitantes não farão esquecer tão cedo mais um evento global que rumou até à Península Arábica.

Encerrou esta quinta-feira a Expo Dubai 2020, que durante seis meses fez rumar até à cidade árabe cerca de 23 milhões de pessoas, que puderam apreciar ao vivo aquilo em que se converteu cerca de seis mil milhões de euros de investimento. Para trás ficavam várias peripécias – entre elas o adiamento por causa da pandemia de Covid-19 (por isso era Dubai 2020 e não 2021), e a já tradicional queixa da existência de problemas com os trabalhadores imigrantes usados (e abusados) durante as obras de edificação.

O destino das construções não é totalmente efémero, como chegou a suceder noutras geografias – recorde-se que era suposto a Torre Eiffel ter sido desmontada depois de abrilhantar a Feira Mundial de 1889 – e pelo menos alguns vão ser recuperados para outras funções.

O pavilhão em forma de falcão dos Emirados Árabes Unidos será um dos que têm vida assegurada, vindo a ser uma das principais peças arquitetónicas do espaço dedicado ao comércio que vai ser montado no mesmo lugar da Expo Dubai. A cidade fecha assim o resgate do sector imobiliário, que passou por uma profunda crise em 2008, na sequência do ‘subprime’

Mas os números não atingiram a magnitude que se antecipava: quando em 2013 o Dubai ganhou a candidatura para sediar a Expo, a primeira no Médio Oriente, as expectativas eram de 25 milhões de visitantes e 30 mil milhões de euros em investimentos até 2031. O adiamento foi o primeiro revés e, evidentemente, a primeira fonte de prejuízos não previstos, dado que uma parte do marketing foi, pura e simplesmente, parar ao lixo: tudo teve de ser repetido uns meses depois.

“Definitivamente ficou aquém do que as autoridades gostariam”, disse James Swanston, economista da Capital Economics. “Houve avaliações extremamente otimistas sobre a Expo impulsionar os próximos cinco a 10 anos de crescimento do sector imobiliário e dos negócios em geral, e a Covid-19 interrompeu tudo”, afirmou, citado na imprensa internacional.

Mesmo assim, os 23 milhões de visitantes (um número que não é consensual) foram um bom rácio atingido, principalmente porque o segundo cenário traçado em cima da pandemia era muito negro, prevendo que as viagens de avião demorariam muito tempo a voltar à normalidade.

Para isso contribuiu a presença dos Coldplay ou de Alicia Keys, mas a verdade é que o evento esteve especificamente voltado para o oriente: estrelas do K-pop, cantores de Bollywood e uma diva pop iraniana atraíram milhares de visitantes, mas não fizeram mover ninguém do ocidente para o Dubai – e as poucas notícias acompanhavam o desinteresse. Mesmo assim, o perfil internacional do evento esteve claramente assegurado, até porque, que se saiba, nenhuma empresa ou país atendeu aos apelos do Parlamento Europeu para retirarem o seu envolvimento na Expo por questões de direitos humanos.

Pouco dadas a esses ‘pruridos’, como já se tinha verificado noutras vezes, as autoridades do Dubai trataram de elevar o perfil internacional da região e oferecer um choque à sua economia. “Trazer o mundo para o Dubai e mostrar o Dubai ao mundo foi um dos sucessos deste evento”, disse Tarek Fadlallah, executivo da consultora Nomura Asset Management Middle East, em declarações à imprensa.

Para além dos negócios e do betão que vai agora ter outras finalidades, alguma coisa terá mudado no Dubai – inserido numa região enormemente conservadora, onde o sunismo impera sobre todos os outros modos de vida (mesmo nas regiões mais ligadas ao xiismo, como no Qatar). Um exemplo: as autoridades permitiram que casais não casados legalmente pernoitassem nos hotéis da região.

No final do ano, a festa volta ao Médio Oriente, com o campeonato do mundo de futebol a rumar precisamente para o Qatar. E não consta que, apesar de se repetirem os problemas de sempre com a mão-de-obra imigrante, o Parlamento Europeu tenha aconselhado as equipas da União Europeia apuradas para o evento a ficarem em casa.

 

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