Acionista chinês da TAP coloca à venda mais de 33 mil milhões em ativos

O grupo, com interesses na TAP, está sob a mira dos reguladores chineses e prepara-se para desinvestir em vários negócios adquiridos nos últimos anos.

Petar Kujundzic/Reuters

O Grupo HNA admitiu que está a retroceder nos investimentos de cerca de 40 mil milhões de dólares (mais de 33 mil milhões de euros) realizados globalmente, depois de ter caído sob a alçada dos reguladores chineses. Adam Tan, diretor executivo do grupo, revelou que a HNA iria sair dos investimentos em algumas indústrias, considerando alienar ativos adquiridos nos últimos anos.

“Vou fazer o meu melhor para sair dos investimentos que foram permitidos no passado, mas já não são permitidos atualmente”, disse Tan em Pequim no âmbito de um fórum organizado pela revista ‘Caijing’. O grupo está há alguns meses sob a mira das entidades reguladoras chinesas, que consideram os enormes investimentos realizados nos últimos anos demasiado agressivos – o que, dito de outra forma, quer dizer que podem ser aplicações de risco que colocam em causa o próprio grupo.

Um dos exemplos das alienações que se aproximam pode ser o Gategroup, suíço, que a HNA comprou no ano passado por 1,18 mil milhões de euros. Do mesmo modo, no início deste mês, a HNA concordou na alienação das suas ações num grupo hoteleiro espanhol.

A ideia é melhorar a liquidez, mas não só: as autoridades chinesas querem estancar a excessiva saída de capitais do país, que pode colocar em causa o desenvolvimento sustentado – ao retirar liquidez da economia, transferindo-a para investimentos no estrangeiro. Segundo adianta o jornal ‘Financial Times’ a Dalian Wanda, Anbang Insurance e Fosun International (com vários interesses nem Portugal) enfrentam o escrutínio das autoridades chinesas.

Os analistas, segundo o mesmo jornal, também manifestaram preocupações quanto ao acesso contínuo da HNA ao financiamento, que provocou um enorme aumento da dívida. Recentemente, recordam os analistas, o grupo chinês aceitou pagar uma taxa de 9% sobre um empréstimo a um ano – considerado “um custo incrivelmente alto para uma dívida de curto prazo”, segundo os analistas.

A HNA tem uma dívida de longo prazo cerca de 49 mil milhões de euros (em 30 de junho), de acordo com a consultora Standard & Poor’s – o que representa uma dívida líquida de 6,5 vezes o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização.

A HNA, com base em Hainan, cujas raízes são uma companhia aérea doméstica chinesa, esteve envolvida, nos últimos três anos, em tentativas de aquisição de 33 mil milhões de euros no mercado externo, tendo emergido como maior acionista do Deutsche Bank e do Hilton Worldwide, entre vários outros grupos.

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