Acionistas querem mais. Oi diz que OPA à PT SGPS é “inoportuna”

As ações da PT SGPS fecharam ontem acima do preço oferecido pela empresária angolana Isabel dos Santos na OPA à empresa de telecomunicações. Através da Terra Peregrin e com a ajuda do intermediário financeiro, a Caixa BI, Isabel dos Santos oferece 1,35 euros por ação da PT, 11% acima do preço de 6ª feira, mas […]

As ações da PT SGPS fecharam ontem acima do preço oferecido pela empresária angolana Isabel dos Santos na OPA à empresa de telecomunicações. Através da Terra Peregrin e com a ajuda do intermediário financeiro, a Caixa BI, Isabel dos Santos oferece 1,35 euros por ação da PT, 11% acima do preço de 6ª feira, mas 30% abaixo da média dos últimos seis meses. Ontem as ações fecharam nos 1,361 euros, cerca de 11,8% acima da sessão anterior, e estiveram a subir 14,6%.

Os acionistas esperam mais e o raciocínio é simples. Nesta oferta os pequenos acionistas recebem cash, enquanto na operação que interessa à Oi, os acionistas ganham indiretamente com a valorização da PT SGPS que é a maior acionista individual da empresa brasileira.

No entanto, esta oferta tem vários dilemas, nomeadamente as condições de sucesso, que incluem a suspensão do processo de fusão entre a PT e a Oi até ao 30.º dia após a OPA, a par da possibilidade de compra de ações da Oi por parte da PT para além da opção de compra dos 11,4% de capital do operador que foram retidos na operação ligada à dívida da Rioforte. Recorde-se que atualmente a PT tem apenas 25,6% da Oi.

Isabel dos Santos quer ainda mexer no limite do uso dos 10% dos direitos de voto na PT e nos 7,5% de direitos de voto da CorpCo, a empresa que resultará da fusão Oi/PT SGPS.

Dificilmente os acionistas da Oi irão aceitar estas exigências, pois tal iniciativa obrigará a deixar cair a estratégia da Oi no Brasil e que passa por capturar parte dos ativos da TIM. A Oi quer entrar no crescimento do mercado de telecomunicações brasileiras e vender a participada Portugal Telecom que detém a rede fixa e o Meo. Isabel dos Santos quer, por outro lado, ter condições para negociar os 25% da Unitel que ainda estão dentro do grupo PT.

Recorde-se que no domingo, o porta-voz da empresária disse, citado por vários órgãos de comunicação, que a oferta não era hostil, embora não tenha sido acordado com a Oi. A operadora brasileira deverá, segundo analistas, manter a estratégia que tinha definido, podendo ainda esta semana tomar decisões sobre as ofertas que têm para a PT Portugal. A Altice, que detém a Cabovisão, é a entidade que fez uma oferta firme, mas os brasileiros esperam ofertas de fundos de “private equity”.

As informações existentes até ao momento indicam que a opção de partilhar a PT Portugal não terá caído bem, tendo em conta a necessidade da Oi querer rapidamente entrar no programa de consolidação das telecomunicações no país. Os analistas do BESI falam na necessidade dos fundos de investimento fazerem uma melhoria substancialmente superior relativamente as 7025 milhões de euros oferecidos pelos franceses. Analistas acreditam que estes poderão ainda melhorar as condições da oferta.

CAVACO SILVA FALA DA PT
Cavaco Silva quer evitar o desmembramento da Portugal Telecom. O PR abordou o tema referindo ser legítimo os portugueses questionarem os acionistas e gestores pelo trabalho desenvolvido ao longo dos anos. Cavaco Silva foi questionado numa visita ao Alentejo e “sacudiu o capote” para os gestores que permitiram que a empresa perdesse o centro de decisão.

Abordou o tema da transferência de propriedade de entidades nacionais para o exterior e que resulta em desequilíbrios das contas externas e do endividamento externo ao longo dos tempos. Ligou ainda o tema aos défices externos à necessidade financiamento, e explicou que estes têm de ser feitos por empréstimos ou entrega de ativos.

Vítor Norinha

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