Acordo nuclear com o Irão à espera de Joe Biden

Nova reunião em Viena esta segunda-feira não avançou nas negociações. A ideia subjacente ao comunicado parece ser a de que não vale a pena debater nada enquanto o presidente americano eleito não decidir o que vai fazer.

Em mais uma reunião do grupo de contacto do chamado Plano Conjunto de Ação Abrangente (JCPOA), que sucedeu esta segunda-feira em Viena, a maioria dos presentes disse que, antes de se evoluir em qualquer direção, é preciso que o novo presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, pretende ou não fazer regressar o seu país ao perímetro do acordo.

O presidente eleito dos Estados Unido sinalizou que Washington tentará voltar ao acordo, do qual Trump desistiu em 2018, mas ainda não há uma certeza sobre a matéria, e muito menos um plano para que isso aconteça. De qualquer modo, vários dos países envolvidos disseram, segundo as agências noticiosas, que estavam a preparar-se para o possível regresso dos Estados Unidos ao acordo. Mas, mesmo que isso aconteça, numa será antes de 20 de janeiro, dia em que previsivelmente o sucesso de Donald Trump tomará o lugar com 46º presidente.

“Os ministros reconheceram a perspetiva de um regresso dos Estados Unidos ao JCPOA e sublinharam a sua disposição para abordar positivamente esse facto num esforço conjunto”, escreve-se numa declaração em nome de ministros do Irão, China, Rússia, Alemanha, França e Reino Unido após a reunião desta segunda-feira de manhã.

Não houve, assim, qualquer progresso na reunião – que estava agendada para que todas as partes envolvidas tentassem convencer o Irão a voltar atrás nas suas intenções de ultrapassar o acordo – uma vez que, diz Teerão, nenhum dos países ali presentes fez o suficiente para contrariar as sanções impostas por Trump depois de se desvincular do acordo.

O grupo de contacto está assim em suspenso da decisão de Biden – naquele que será o seu primeiro grande teste internacional depois de tomar o lugar na Casa Branca. Recorde-se que Israel tem dito publicamente esperar que os Estados Unidos não voltem a assinar o acordo conseguido em 2015 pela administração Obama – que consideraram tremendamente lesiva dos interesses do Estado judaico.

Até por isso, a decisão de Biden está a ser aguardada com grande expectativa – uma vez que vai permitir aos analistas chegarem a conclusões sobre qual será a abordagem política do novo presidente em relação a Israel – sendo certo que as relações entre o poder no Estado judaico e os presidentes norte-americanos democratas não têm sido as melhores.

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