Acordo Nuclear: Davos fornece um último alento a Viena

A delegação saudita ao Fórum Económico Mundial disse que manteve encontros com representantes do Irão – no que foi lido como uma possibilidade de desanuviamento entre os dois inimigos. É a última hipótese de o Acordo Nuclear de 2015 sobreviver ás negociações de Viena.

Davos 2020 | DR

Os seis dias do Fórum Económico Mundial de Davos são palco para encontros com grande probabilidade de não acontecerem em mais lado nenhum – e isso terá sucedido entre as delegações do Irão e da Arábia Saudita que estiveram na cidade suíça. Segundo vários jornais, a delegação saudita disse que os encontros “podiam ter corrido melhor”, mas principalmente aconteceram.

O otimismo dos sauditas – os iranianos não terão dito nada sobre o assunto, dado nem mesmo os jornais do país o terem referido – levantou alguma esperança de que o acordo nuclear de 2015 possa ainda ser ressuscitado nas negociações que ainda não estão totalmente paradas em Viena, capital da Áustria.

E esta parece ser a única nota de otimismo face ao facto de essas negociações estarem bloqueadas pelas linhas vermelhas impostas pelo Irão – o fim imediato das sanções norte-americanas – e pela irredutibilidade dos Estados Unidos em aceitá-las.

Esta semana, Robert Mali, o representante Especial dos Estados Unidos para o Irão, afirmou que as conversações de Viena sobre o acordo nuclear “têm menos probabilidade de sucesso que de fracasso”. Robert Mali disse que Washington está pronto para endurecer as sanções contra Teerão e, se nenhum acordo puder ser alcançado, responder a qualquer escalada das ações iranianas com Israel ou outros aliados dos norte-americanos.

Referindo-se às conversas indiretas entre o Irão e os Estados Unidos em Viena (os iranianos impuseram a ausência dos Estados Unidos, dado o país ter riscado o acordo em 2018), que estão suspensas desde março, Mali, que falava numa sessão do Comité de Relações Exteriores do Senado, disse que nenhum acordo havia sido para já alcançado e que a hipótese de isso acontecer é “fraca”.

Mali voltou a criticar a decisão do ex-presidente Donald Trump, de retirar o país do acordo, dizendo que não apenas não impôs restrições mais longas e mais fortes ao programa nuclear do Irão, mas antes restrições mais curtas e mais fracas que aquelas que estavam no ativo até 2015.

Para aquele responsável, há evidências de que o Irão conseguirá atingir a capacidade de produção de armas nucleares “em algumas semanas”. Mali enfatizou que “não há uma solução militar para o problema nuclear iraniano”, mas referiu que, no entanto, todas as opções estão em cima da mesa para resolver a crise nuclear da república islâmica.

Coincidindo com a reunião, o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos anunciou que havia imposto sanções a uma rede de lavagem de dinheiro e contrabando de petróleo liderada por Guardas Revolucionários (a chamada força Quds) que terá vendido de centenas de milhões de dólares em petróleo para abastecer o Hezbollah no Líbano. O Departamento do Tesouro emitiu um comunicado dizendo que a rede de contrabando atuou como um elemento vital na geração de receitas petrolíferas do Irão.

Recorde-se que, há poucos dias, os Estados Unidos impuseram sanções a Ahmed Jalal Reza Abdullah, empresário libanês e financiador do Hezbollah, e a oito das suas empresas instaladas no Líbano e no Iraque.

Rafael Grossi, diretor geral da Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA), disse na passada quarta-feira, em paralelo às declarações de Robert Mali, que “é difícil” que as negociações de Viena sejam bem-sucedidas.

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