Acordo nuclear. EUA e Irão vão retomar negociações indiretas esta semana em Viena

O analista da consultora Eurasia, Henry Rome, disse achar improvável que o Plano de Ação Abrangente Conjunto (JCPOA) seja ressuscitado este ano, colocando as hipóteses em 35% e afirmando que nenhum dos lados quer arcar com a culpa do seu insucesso.

Os Estados Unidos e o Irão vão retomar negociações em Viena esta semana relativamente à retomada do pacto nuclear de 2015, disseram autoridades dos dois países esta quarta-feira à “Reuters”, embora tenham minimizado qualquer expectativa de um avanço.

O principal negociador do Irão, Ali Bagheri Kani, disse, no Twitter, que a bola está do lado de Washington para salvar o pacto, pedindo aos americanos  maturidade e responsabilidade.

“A ir para Viena para avançar nas negociações. A bola recai sobre aqueles que violaram o acordo e não conseguiram distanciar-se do seu legado sinistro”, escreveu Bagheri Kani no Twitter.

O porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros iraniano, Nasser Kanaani, disse que Teerão está pronto para chegar a um acordo que garanta os seus direitos, citado pelos meios de comunicação estatais.

Uma autoridade iraniana, que falou sob a condição de anonimato, disse que as negociações serão retomadas na quinta-feira.

 

DUBAI, 3 de agosto (Reuters) – Autoridades iranianas e norte-americanas vão retomar as negociações em Viena nesta semana sobre a retomada do pacto nuclear de 2015, disseram autoridades dos dois países nesta quarta-feira, embora tenham minimizado qualquer expectativa de um avanço.

A bola está no tribunal de Washington para salvar o pacto, tuitou o principal negociador do Irã, Ali Bagheri Kani, antes de ir para Viena, pedindo a Washington que “mostre maturidade e aja com responsabilidade”. consulte Mais informação

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“Indo para Viena para avançar nas negociações. O ônus recai sobre aqueles que violaram o acordo e não conseguiram se distanciar do legado sinistro”, tuitou Bagheri Kani.

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Nasser Kanaani, disse que Teerã está pronto para chegar a um acordo que garanta seus direitos, segundo a mídia estatal.

Uma autoridade iraniana, que falou sob condição de anonimato, disse que as negociações serão retomadas na quinta-feira.

O enviado especial dos EUA para o Irão, Rob Malley, disse que estava se preparando para voar para Viena, mas sugeriu que não esperava grandes progressos.

“Nossas expectativas estão em cheque, mas os Estados Unidos saúdam os esforços da UE e estão preparados para uma tentativa de boa fé de chegar a um acordo. Em breve ficará claro se o Irã está preparado para o mesmo”, escreveu ele no Twitter.

Malley disse que as negociações prosseguirão com base em um texto recentemente proposto pelo chefe de política externa da União Europeia, Josep Borrell, para reviver o acordo de 2015 sob o qual o Irã restringiu seu programa nuclear em troca de um afrouxamento das sanções econômicas.

O analista do Eurasia Group, Henry Rome, disse achar improvável que o acordo – chamado Plano de Ação Abrangente Conjunto (JCPOA) – seja ressuscitado este ano, colocando as chances em 35 por cento e dizendo que nenhum dos lados quer a culpa por sua morte.

“Tanto os EUA quanto o Irã têm um forte interesse em manter viva a perspectiva de um acordo, embora ambos os governos pareçam resignados com seu eventual fim”, escreveu Roma em uma análise.

“Para os EUA, o foco contínuo no JCPOA adia um giro complicado e caro para aumentar a pressão diplomática e econômica sobre Teerã”, acrescentou. “Para o Irã, a diplomacia contínua, mesmo que improdutiva, apoia os mercados domésticos, evita uma maior pressão internacional e dá cobertura para seus avanços nucleares contínuos.”

Em 2018, o então presidente Donald Trump abandonou o acordo, chamando-o de muito brando com o Irã, e reimpôs duras sanções dos EUA, estimulando Teerã a começar a violar seus limites nucleares.

 

DUBAI, 3 de agosto (Reuters) – Autoridades iranianas e norte-americanas vão retomar as negociações em Viena nesta semana sobre a retomada do pacto nuclear de 2015, disseram autoridades dos dois países nesta quarta-feira, embora tenham minimizado qualquer expectativa de um avanço.

A bola está no tribunal de Washington para salvar o pacto, tuitou o principal negociador do Irã, Ali Bagheri Kani, antes de ir para Viena, pedindo a Washington que “mostre maturidade e aja com responsabilidade”. consulte Mais informação

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“Indo para Viena para avançar nas negociações. O ônus recai sobre aqueles que violaram o acordo e não conseguiram se distanciar do legado sinistro”, tuitou Bagheri Kani.

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Nasser Kanaani, disse que Teerã está pronto para chegar a um acordo que garanta seus direitos, segundo a mídia estatal.

Uma autoridade iraniana, que falou sob condição de anonimato, disse que as negociações serão retomadas na quinta-feira.

O enviado especial dos EUA para o Irã, Rob Malley, disse que estava a preparar-se para voar para Viena, mas indicou que não esperava grandes progressos.

“As nossas expectativas estão em cheque, mas os Estados Unidos saúdam os esforços da UE e estão preparados para uma tentativa de boa fé de chegar a um acordo. Em breve ficará claro se o Irão está preparado para o mesmo”, escreveu no Twitter.

Malley disse que as negociações prosseguirão com base num texto recentemente proposto pelo chefe de política externa da União Europeia, Josep Borrell, para reviver o acordo de 2015 sob o qual o Irão restringiu o programa nuclear em troca de um aliviamento das sanções económicas.

O analista da consultora Eurasia , Henry Rome, disse achar improvável que o Plano de Ação Abrangente Conjunto (JCPOA) seja ressuscitado este ano, colocando as hipóteses em 35% e afirmando que nenhum dos lados quer arcar com a culpa do seu insucesso.

“Tanto os EUA quanto o Irão têm um forte interesse em manter viva a perspetiva de um acordo, embora ambos os governos pareçam resignados com seu eventual fim”, escreveu numa análise. “Para os EUA, o foco contínuo no JCPOA adia a necessidade de aumentar a pressão diplomática e econômica sobre Teerão”, acrescentou. “Para o Irão, a diplomacia contínua, mesmo que improdutiva, apoia os mercados domésticos, evita uma maior pressão internacional e dá cobertura para os seus avanços nucleares contínuos.”

Em 2018, o então presidente Donald Trump abandonou o acordo, chamando-o de muito brando, e reimpôs duras sanções. Em resultado, o Irão tem avançado no seu programa nuclear, conforme revela um relatório da Agência Internacional de Energia Atómica visto pela “Reuters”.

A agência relembra que o acordo parecia próximo de retornar em março, após 11 meses de conversas indiretas entre Teerão e o governo do presidente dos EUA, Joe Biden, em Viena. Contudo, houve inúmeros obstáculos, incluindo a exigência de Teerão de que Washington fornecesse garantias de que nenhum presidente dos EUA abandonaria o acordo como Trump fez, bem como removesse a Guarda Revolucionária Islâmica da lista de organizações terroristas estrangeiras dos EUA. Biden descartou as duas exigências.

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“Para salvar o acordo nuclear com o Irão, coloquei na mesa o melhor acordo possível nessas circunstâncias. A hora de decidir é agora”, sublinhou o chefe da diplomacia da União Europeia, que também assume um papel de facilitador nestas reuniões, através de uma publicação no seu blogue.
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