Assédio a jogadoras do Rio Ave. “Pode ser um kick-off para futuras denúncias”, refere Raquel Sampaio

A fundadora da Teammate Football Management revela ao Jornal Económico não estar surpreendida com a denuncia feita pelas jogadoras e pede um maior apoio das autoridades do futebol para que as futebolistas se sintam mais protegidas.

As acusações de assédio sexual feitas pelas jogadoras de futebol feminino do Rio Ave ao antigo técnico Miguel Afonso não surpreenderam os agentes ligados ao mundo do futebol.

“Surpreendida não. Isto foi um caso, mas seguramente que já se passaram mais no passado e acredito que isto possa ser um kick-off para futuras denúncias, quer tenham acontecido anteriormente, no presente, ou que possam vir a acontecer no futuro”, refere em declarações ao Jornal Económico (JE), Raquel Sampaio, fundadora da Teammate Football Management.

Segundo o jornal “Público”, o técnico terá trocado mensagens íntimas com várias jovens entre os 18 e os 20 anos do plantel feminino do Rio Ave na época 2020/2021, uma situação que já foi negada por Miguel Afonso.

Com várias jogadoras na sua agência, Raquel Sampaio vê toda esta situação “com preocupação”, dado que compete aos agentes proteger as suas futebolistas, assim como os clubes. “Para mim enviar ou transferir jogadoras para sítios que não têm ambientes seguros para elas desempenharem as suas funções deixa-me extremamente desconfortável”, salienta.

Em comunicado, o Rio Ave admite ter tido conhecimento de “alguns comentários” e “abordagens despropositadas” do antigo técnico, mas que não deu seguimento às queixas por pedido das atletas. Na época 2020/2021, o Rio Ave estava na terceira divisão (hoje encontra-se no segundo escalão). “Se calhar as jogadoras sentiam que não estavam assim tão protegidas para poderem falar”, afirma Raquel Sampaio, deixando um apelo para que quem manda no futebol mostre mais apoio neste tipo de situações.

“Falta às organizações competentes informar melhor as jogadoras, sensibilizá-las e mostrar-lhes que estão protegidas para que mais possam falar. A Federação Portuguesa de Futebol tem uma plataforma onde se pode denunciar estes casos, mas se calhar 85% delas não sabem da sua existência e mesmo que saibam, se calhar não existe mais nada a volta que as faça sentir protegidas”, sublinha.

De acordo com o “Público”, o presidente do Famalicão, Jorge Silva, foi informado do caso por intermédio de uma empresária de jogadores/as, sendo que em resposta terá dito que o assunto já tinha sido discutido e resolvido com os responsáveis do futebol feminino do clube.

“Faz-me confusão se o clube foi alertado para isto como é que só confiou na palavra de um treinador do que proteger um plantel inteiro, isso é um bocadinho assustador”, refere Raquel Sampaio.

Já esta tarde o clube reagiu em comunicado, no qual assume não ter “ao momento da contratação do técnico, e até ao dia de hoje, conhecimento de nenhuma acusação ou denúncia às autoridades competentes que recaia sobre o técnico Miguel Afonso”.

Quem também negou as acusações foi o treinador, que em declarações à “CNN Portugal” referiu que “há algo de estranho aqui montado”, uma posição vincada através das suas redes sociais. “Continuo forte e focado. Com calma e alma, me defenderei deste esquema criado”.

Não querendo fazer comentários sobre a posição do técnico, Raquel Sampaio espera apenas que as autoridades competentes investiguem a situação a fundo. “Existem evidências, espero que seja tudo investigado e que as pessoas envolvidas sejam devidamente punidas, porque só assim conseguimos também que mais pessoas continuem a falar e a denunciar”, afirma.

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Os casos de alegado assédio terão ocorrido na temporada 2020-21, quando o ex-técnico Miguel Afonso chegou à equipa, avançou o “Público”.
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