A&D Wines: Empresa familiar de Baião exporta 80% da produção

A partir de Baião, uma casal de engenheiros eletrotécnicos aplicou a sua paixão mútua nos vinhos verdes do segmento ‘premium’ e conquistou o Mundo, desde o Japão aos Estados Unidos. O mercado interno também está a despertar para a excelência de castas como o Avesso.

Dois engenheiros eletrotécnicos, Alexandre Gomes e Dialina Azevedo, conheceram-se. Além da profissão e da paixão um pelo outro, tinham (e têm) em comum a paixão pelos vinhos. Em particular, pelos vinhos verdes, da sua região, de Baião, com destaque para a casta Avesso, autóctone. A designação da empresa, A&D Wines, vem dos nomes próprios do casal, únicos acionistas: A, de Alexandre; D de Dialina.

Compraram uma quinta, a Casa do Arrabalde, depois compraram outra, a Quinta dos Espinhosos. Como não há duas sem três, adquiriram a última, a Quinta de Santa Teresa, em 2015. Total de investimento, cerca de sete milhões de euros, incluindo uma adega que aguarda licenciamento por parte da autarquia local. No total, são cerca de 45 hectares de vinha, complementados por uma pequena produção de nozes, cerca de três toneladas anuais.
A empresa foi constituída em 2005, mas Alexandre e Dialina meteram mãos à obra neste segmento dos vinhos há muito mais anos, numa história que vem de 1991. No princípio, parecia que o mercado nacional não queria nada com eles. E em 2008 veio a crise.

“O problema é que nessa altura, em 2008, o mercado nacional estava em crise e parecia que não estava interessado nos nossos vinhos. Por isso, decidimos apresentar-nos na Prowein, uma das maiores feiras mundiais de vinhos, na Alemanha, em 2009”, relembra Alexandre Gomes. Há males que vêm por bem. A partir daí, a A&DWines passou a ter uma vertente eminentemente exportadora, tendo chegado a vender para os mercados externos 98% da sua produção de vinhos verdes.

“Decidimos apostar nos mercados externos e direcionar os nossos vinhos para mercados como a Bélgica, Alemanha, Inglaterra, Holanda, Suécia e Dinamarca. Essa experiência correu muito bem e agora todos os anos estamos presentes na Prowein, que continua a dar-nos bons resultados”, assegura Alexandre Gomes. “Além do Japão, para onde vendemos cerca de 30% da nossa produção, os nossos grandes mercados de exportação são a Bélgica, onde temos um acordo com um dos maiores importadores de vinhos do país; o Reino Unido; os Estados Unidos, cada vez mais um grande mercado para nós; o Canadá, bastante interessante. E a Holanda, a Suécia e a Dinamarca. E é preciso perceber as particularidades de cada mercado: o Reino Unido é um mercado muito sensível ao preço, enquanto, por exemplo, a Alemanha é muito orientada para certos perfis de vinho”, adianta este acionista e fundador da A&D Wines.

“Temos tido mais sucesso em mercados mais maduros em termos de vinhos, como é o caso dos mercados europeus. Também é preciso dizer que os nossos vinhos não são vinhos óbvios. São vinhos que consideramos serem de muito boa qualidade e que trazem algo de novo”, destaca Dialina Azevedo.

Talvez por isso mesmo, o mercado português começou a descobrir os vinhos da A&D Wines, de tal forma que no final deste ano, cerca de 18% da produção da empresa vai ser consumida dentro de fronteiras. Para tal, também terá ajudado a parceria que a empresa constituiu com a distribuidora Decante, no início deste ano.

Com este acordo, os vinhos da A&D Wines estão presentes no canal HORECA (Hotelaria, Restauração, Cafetaria). “Não estamos à venda em nenhuma grande superfície, porque não temos volume ou preço para esse tipo de mercado”, explica Alexandre Gomes. “Vamos estar no El Corte Inglés de Gaia e de Lisboa”, revela Dialina Azevedo, acrescentando que “pode ser que daqui a uns anos possamos ter uma referência de entrada de gama, mas neste momento preferimos centrar-nos num mercado ‘premium’”.

A A&D Wines comercializa hoje oito referências de vinhos verdes, espalhados pelas marcas Casa do Arrabalde, Espinhosos, Monólogo e Singular, com base nas castas Alvarinho, Arinto, Avesso, Malvasia Fina, Chardonnay, Sauvignon Blanc, nos brancos; e Touriga Nacional e Vinhão (nos tintos), todos sob a batuta do enólogo Fernando Moura.

“Neste momento, faturamos cerca de 450 mil euros por ano, com uma produção de cerca de 150 mil garrafas por ano, mas temos capacidade para produzir 300 mil garrafas de vinho por ano. E é nesse sentido que pretendemos dimensionar a futura adega”, garante Alexandre Gomes. Um aviso à consideração do executivo autárquico de Baião…

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