Adeus TAPzinha? 11 pontos para ficar a conhecer a nova TAP

A perda de slots no aeroporto de Lisboa, a frota, o futuro da Groundforce ou a posição de Humberto Pedrosa. Saiba como vai ficar a companhia aérea depois do plano de reestruturação ser aprovado em Bruxelas.

José Sena Goulão/Lusa

Frota da TAP com 99 aviões

A TAP já reduziu o número de aviões de 108 para 96. Pedro Nuno Santos salientou ontem que a Comissão Europeia autoriza a companhia aérea a chegar ao final da reestruturação com 99 aviões.

“Este é um número muito importante porque o número recorde de aviões da TAP era de 108. Em 2018 a TAP tinha 93 aviões. Ou seja, vai entrar no plano de reestruturação com um número de aviões superior ao segundo melhor ano, o de 2018. É por isso que não vamos ter uma TAPzinha no final deste processo. Vamos ter uma TAP”, disse o ministro na conferência de imprensa.

TAP entrega 5% dos slots em Lisboa

A TAP vai ter de ceder 18 slots (ou nove pares de faixas horárias) no aeroporto de Lisboa a partir do inverno de 2022. Isto equivale a 5% dos cerca de 300 slots diários de que a companhia aérea dispõe no aeroporto Humberto Delgado.

“A Comissão Europeia queria mais slots, mas na negociação conseguimos um número que não põe em causa o negócio”, disse ontem o ministro Pedro Nuno Santos.

“Vários grupos de aviação interessados na TAP”

O ministro revelou que existem “vários grupos de aviação, e não só”, interessados na TAP. Existem “potenciais interessados, porque há mais do que a Lufthansa”, disse em entrevista à “CNN Portugal”.

Pedro Nuno Santos considera que o futuro da TAP tem de passar por estar integrada num grupo de maior dimensão para conseguir sobreviver.

“Achamos que a TAP tem de se enquadrar num grupo maior do que si própria. Não há nenhuma companhia de aviação, nomeadamente com a dimensão da TAP, que consiga sobreviver neste mercado altamente competitivo isoladamente”, afirmou.

“O que existe é, também da nossa parte, a ideia muito clara que no mercado global da aviação a TAP não pode sobreviver sozinha, e que nós vamos ter de encontrar nos próximos anos uma parceria estratégica muito estreita para a TAP”, defendeu. Este processo vai decorrer até 2025.

Quem vai ficar com estas slots?

“Não se sabe quem são as companhias que vão ficar com esses slots. Será feito um concurso”, disse ontem o ministro, apontando que o processo vai ter lugar no inverno de 2022.

Pedro Nuno Santos garantiu que menos 5% de slots não estão “adstritas a nenhum destino em particular”.

“Não quer dizer que a TAP deixe de voar para esse destino, tem é de fazer um reajustamento”, destacou o responsável.

Groundforce só será vendida em “condições satisfatórias para a TAP”

Pedro Nuno Santos garantiu hoje que a participação minoritária da TAP na Groundforce (49,9%) só será vendida em “condições satisfatórias para a TAP”. Mesmo após a venda, a TAP vai continuar a principal cliente da empresa de handling, frisou.

“A Groundforce é muito importante para o país e para a TAP. Mas sabemos que é uma empresa viável que terá solução”, acrescentou. Além da Groundforce, Bruxelas também exige a venda da participação na empresa de catering, a Cateringpor.

Empréstimo privado de 360 milhões com garantias do Estado

O Estado português vai dar garantias públicas para 90% de um empréstimo privado à TAP no valor de 360 milhões de euros que vai ter lugar em 2022, disse ontem o ministro.

Além deste empréstimo, a TAP vai receber uma nova injeção de dinheiro do Estado no valor de 990 milhões, depois de já ter recebido uma injeção de 1,2 mil milhões de euros.

Em relação às ajudas no âmbito da Covid-19, a empresa já recebeu 462 milhões de euros este ano e vai receber mais 107,1 milhões ainda este ano e mais 81 milhões no próximo ano.

Feitas as contas, a TAP vai receber no total 3,2 mil milhões de euros, com o governante a garantir que não será ultrapassado este valor.

Operação de manutenção no Brasil vai ser vendida

Em relação à operação de manutenção no Brasil, a crónica deficitária M&E Brasil, Bruxelas exige a sua alienação ou liquidação.

“Tem sido um peso muito significativo nas contas da TAP.  A sua alienação ou encerramento é um destino que temos de concretizar”, afirmou, destacando que a preferência do Governo é pela sua alienação.

Acionista privado Humberto Pedrosa sai do capital da TAP SA, mas fica na TAP SGPS

Na conferência de imprensa, o secretário de Estado do Tesouro Miguel Cruz começou por dizer que Humberto Pedrosa “tem sido um elemento tem sido um elemento importantíssimo em todo este processo” e vai “manter a mesma percentagem nominal na TAP SGPS”, a holding. Mas na TAP SA a história é diferente.

“As entradas de capital serão feitas via TAP SA. E, em consequência disso, a TAP SA ficará integralmente pública”. Ou seja, Humberto Pedrosa sai da TAP SA, a empresa do grupo com os principais ativos, desde a frota ao valor inerente aos slots (autorizações de aterragem e descolagem da companhia nos aeroportos de Lisboa e Porto).

TAP é crucial para a economia portuguesa, defende PNS

O ministro das Infraestruturas começou a conferência de imprensa na terça-feira por recordar um argumento que tem vindo a usar: a TAP é crucial para a economia portuguesa, pelo que representa em exportações (as vendas de bilhetes contam como exportações) e em compras a fornecedores portugueses. E sublinha: se a TAP acabasse, nenhuma companhia a poderia substituir.

O ministro sublinhou que a TAP compra anualmente 1.300 milhões de euros de bens e serviços a empresas nacionais, incluindo 450 milhões em combustível (jet fuel) e 840 milhões de euros em compras anuais de tecnologia, serviços, restauração e hotelaria.

“Quando nós falamos de TAP, falamos de muito mais do que uma empresa de aviação. Falamos de uma empresa que tem uma importância tremenda para as exportações e para a balança comercial portuguesa, que tem uma importância muito significativa para muitas empresas portuguesas e que tem um modelo de negócio que dá centralidade a Portugal. A geografia portuguesa é um problema em muitas matérias, mas no negócio da aviação é uma oportunidade que só a TAP permite aproveitar”, defendeu o ministro.

A única companhia aérea nacional com modelo hub and spoke

“Quando dizemos que se a TAP fechasse, não seria substituída por mais nenhuma… Isso é a mais pura das verdades”, diz Pedro Nuno Santos, salientando que a companhia portuguesa é a única em Portugal que faz o negócio de “hub and spoke” em que recebe passageiros de longo curso e os distribui pela Europa. “As outras fazem ponto-a-ponto”, diz o ministro. “E por isso é que nenhuma low-cost poderia substituir a TAP, como se diz por aí”.

“Se a TAP fechasse, o que aconteceria é que deixávamos de ter um hub no aeroporto de lisboa. A esmagadora maioria dos voos que vem do Brasil, África e EUA e que param, neste momento, em Portugal, passariam a parar em Madrid, Berlim ou Paris. A ideia de que o negócio da TAP poderia ser substituído por algumas das low cost que sistematicamente são citadas, é errado”, afirmou na conferência de imprensa.

O que implicou a reestruturação da empresa?

– Corte salarial de 25% nos salários acima dos 1.330 euros para a generalidade dos trabalhadores e de até 50% para os pilotos;

– Redução da frota de 108 para 96 aviões;

– Redução de 2.900 trabalhadores no quadro de pessoal;

– Poupança de 1.300 milhões de euros com adoção de medidas laborais até 2025;

– Renegociação dos contratos com fornecedores, reduzindo gastos em 400 milhões de euros até 2025.

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