Administrador financeiro do BCP diz que subida do rating ajuda banca

Miguel Bragança diz que a subida do rating da Fitch “é positivo na medida em que implica uma redução de custos/yields da dívida pública e por isso é bom para a economia e para a banca, em particular, porque contribui para a redução dos custos de financiamento institucionais, ou porque melhora os rácios de capital”.

A melhoria do rating da República Portuguesa pela Fitch em 2 níveis, de BB+ para BBB, passando a dívida soberana a ter grau de investimento por parte desta agência de notação financeira, “é positivo na medida em que implica uma redução de custos/yields da dívida pública e por isso é bom para a economia no geral e para a banca, em particular, porque contribui para a redução dos custos de financiamento institucionais, por um lado, ou porque melhora os rácios de capital devido à melhoria do valor dos títulos em carteira, por outro”, diz ao Jornal Económico Miguel Bragança, administrador financeiro do BCP.

Tal como revelou o Ministério das Finanças esta melhoria do rating alarga a base de investidores na dívida da República Portuguesa e vai permitir a entrada da dívida em mais índices de dívida soberana. Mas além de favorecer as condições de financiamento da República, favorece as condições de financiamento da economia.

É de salientar que os juros da República já estão em 1,76%, abaixo da dívida italiana a 10 anos que está em 1,8%. Portanto parte do impacto desta melhoria do rating já está refletida nas yields da dívida portuguesa, que têm vindo a cair nas últimas semanas à espera desta decisão da Fitch.

Ora como os custos de financiamento das empresas e dos bancos estão correlacionados com os custos de financiamento do Estado, esta melhoria do rating favorece também as condições de financiamento das empresas portuguesas e da banca. O que é especialmente relevante numa altura em que a banca se prepara para ir ao mercado para emitir instrumentos de MREL (obrigações bail-ináveis), numa altura em que a CGD vai ter fazer mais uma tranche da obrigações Additional tier 1 e que o Novo Banco irá emitir 400 milhões de euros de Tier2.

Para os bancos o impacto vem ainda por outra via: a carteira de Obrigações do Tesouro detida em carteira. Se a dívida portuguesa estiver na carteira de trading, o banco vende e regista a mais-valia, logo sobe os resultados.

Já se estiver na carteira de available for sale, como as menos-valias latentes são deduzidas a capital, a subida dos juros diminui o impacto negativo em capital, sobretudo no regime fully loaded (Basileia III totalmente implementado) .

O relatório da Fitch aborda também o setor bancário, dizendo que “as recapitalizações dos dois maiores bancos (CGD e BCP) e a venda maioritária do Novo Banco a um investidor estrangeiro [Lone Star] ajudam a mitigar passivos contingentes e os riscos para a estabilidade financeira. No entanto, o elevado nível de crédito improdutivo (NPL) continua a ser um risco e uma potencial limitação ao crescimento económico a médio prazo”.

“O setor bancário conseguiu reduzir o stock de crédito improdutivo para  42 mil milhões de euros em meados de 2017, face a 50 mil milhões em meados de 2016. Além disso, a recuperação, apoiada por sentimentos económicos mais positivos e pelo aumento do emprego, cria um ambiente favorável para uma maior normalização do setor bancário “, refere a agência de rating.

A decisão da Fitch, que se junta às da Standard and Poor’s e DBRS, coloca a dívida soberana em grau de investimento.

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