AEIA está a ser enganada pela Rússia na central nuclear de Zaporizhzhia, diz Ucrânia

As autoridades russas “estão a fazer todos os esforços para impedir que a missão da Agência Internacional de Energia Atómica conheça o estado real das coisas” na planta, alega a empresa estatal ucraniana Energoatom.

Photo by Zaporizhzhia Nuclear Power Plant/Anadolu Agency via Getty Images)

A missão da Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA) na central nuclear de Zaporizhzhia está a ser manipulada pelas autoridades russas, que estão a distorcer informações, disse a empresa estatal ucraniana Energoatom.

As autoridades russas “estão a fazer todos os esforços para impedir que a missão da Agência Internacional de Energia Atómica conheça o estado real das coisas” na planta, alega. “Eles espalham informações manipuladoras e falsas sobre esta visita”, acrescentou a empresa em comunicado compartilhado no Telegram esta manhã, citado pela “Reuters”.

Um funcionário da central falou com o meio de comunicação ucraniano “Suspilny” sob condição de anonimato: “Eles conduziram Grossi e os inspetores ao longo da sua rota, mostraram-lhes ‘mapas de chegada’ e trouxeram colaboradores locais com declarações de ‘cidadãos indiferentes’ sobre a necessidade de parar os bombardeamentos. Foi um circo”.

Segundo o funcionário, os russos convenceram os representantes da missão de que tropas de proteção radiológica, química e biológica, e não unidades de combate do exército russo, estavam na estação.

Na quinta-feira, no primeiro dia de inspeção ao local, o diretor da AIEA afirmou que a “integridade física da central”, ocupada pelas tropas russas, “foi violada”, segundo a “Lusa”.

Grossi disse ter visto “muitas coisas” durante as “quatro ou cinco horas” que passou no local. “Estive nas unidades [dos reatores], vi o sistema de emergência e outras áreas, as salas de controlo”, enumerou, elogiando os trabalhadores ucranianos que continuam a trabalhar na central desde a sua ocupação, em março.

A investigação surge depois de um dos dois reatores ativos foi desligado devido a bombardeamentos que os ucranianos atribuem às forças russas, ao passo que a Rússia acusa a Ucrânia de ter enviado equipas para sabotarem a maquinaria da central localizada ao longo do rio Dnieper, relembra a agência.

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