Aero Díli espera que voo inaugural do primeiro avião timorense ocorra em fevereiro

O proprietário da companhia aérea timorense Aero Dili disse hoje que espera que o voo inaugural do primeiro avião de bandeira timorense comece a operar no final de fevereiro, com rotas para pelo menos três países.

“Estamos nos preparativos finais e no processo final de certificação e preparação do avião. A viagem inaugural será entre Díli e Bali, esperamos no final de fevereiro”, disse Lourenço de Oliveira em declarações à Lusa.

O responsável falava à margem da cerimónia de apresentação oficial do projeto que representa um investimento de 10 milhões de dólares (9,5 milhões de euros) e que verá o primeiro avião com as cores do país, um A320, a operar em rotas internacionais.

Intervindo na mesma ocasião, o primeiro-ministro timorense, Taur Matan Ruak, saudou a “coragem e determinação” da equipa por trás do projeto, manifestando-se otimista que possa contribuir para reduzir os preços das viagens aéreas de e para Timor-Leste.

Taur Matan Ruak recordou os primeiros esforços da Aero Dili, com a compra de um Cessna para operar em Timor-Leste e a coragem da empresa continuar apesar de um pequeno acidente, sem vítimas, com o aparelho em 2019.

Lourenço de Oliveira recordou que a empresa tem vindo a operar vários voos charter, numa iniciativa que começou durante o período da pandemia e se tem vindo a alargar, e que o objetivo é progressivamente ampliar as rotas disponíveis.

Numa primeira fase, disse, haverá voos diários numa rota, semanais noutra e duas vezes por mês numa terceira, sem avançar detalhes.

A cerimónia de hoje serviu igualmente para apresentar a equipa da Aero Dili que inclui pilotos, técnicos e equipas a bordo e em terra, com extensa experiência e oriundos de vários países, incluindo Timor-Leste.

Oliveira disse que o objetivo da empresa é igualmente avançar num programa progressivo de formação de quadros locais.

O avião será operado em modelo de ‘leasing’, já com um pagamento inicial de garantia para dois anos e em que empresa aposta na oferta de preços mais competitivos do que os atuais.

Dono de dois casinos em Díli e com investimentos em aquacultura e agricultura, entre outros, Lourenço de Oliveira tem no último ano operado parte das ligações aéreas entre Díli e Bali, na Indonésia, utilizando um modelo de charter com aviões das empresas Air Asia e Sriwijaya Air.

O sonho de ter um avião de bandeira timorense começou há cerca de seis anos quando Lourenço de Oliveira decidiu ele próprio tirar o curso de piloto, comprando depois três pequenas avionetas para viagens domésticas em Timor-Leste.

“Negociei com várias empresas de leasing. Os dois primeiros contratos acabaram por não poder avançar porque as empresas apontaram as fraquezas do nosso sistema de aviação e do quadro legislativo”, referiu Lourenço de Oliveira.

Finalmente chegou a acordo com a Dubai Aerospace Enterprise, uma das maiores empresas de leasing de aviões do mundo, que enviou equipas a Timor-Leste para fazer toda a avaliação do projeto.

O A320 tem capacidade para 180 passageiros, que na configuração da Aero Díli foi reduzida para 165 lugares, “para as pessoas irem mais cómodas”, disse.

Nos últimos anos Timor-Leste tem procurado celebrar acordos de serviços aéreos com vários países sendo que, até ao momento, o único ratificado e em vigor é com a Austrália.

Voos para outros países, como a Indonésia, Singapura ou Malásia, têm sido operados apenas em sistema de charter.

Recomendadas

Presidente da Guiné-Bissau confiante na criação da moeda de países do oeste africano até 2027

O presidente da Guiné-Bissau, Umaro Sissoco Embaló, afirmou hoje estar confiante na criação da moeda única da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental, denominada Eco, em 2027 e admitiu ser normal as reservas de alguns países.

Congresso brasileiro toma posse, com eleiçao de líderes que definem relação com governo

Vencerá a eleição no Senado o candidato com 41 ou mais votos de um total de 81 senadores.

FMI apoia Guiné-Bissau a redigir o novo regime de isenções fiscais

A missão liderada por David Baar, economista sénior do Departamento de Assuntos Fiscais do FMI, vai permanecer no país até sexta-feira e na segunda-feira já esteve reunida com os secretários de Estado do Tesouro, Orçamento e Assuntos Fiscais e os diretores-gerais das Alfândegas, das Contribuições e Impostos e da Previsão e Estudos Económicos.
Comentários