Aeroespacial dá cartas nas notas e nos empregos

Aumentar o número de licenciados sem diminuir a qualidade é possível, mas implicaria um esforço nacional desde o 2. Ciclo para atrair mais estudantes para as áreas científicas, diz a Tekever ao JE.

O Instituto Superior Técnico (IST) é o berço do ensino e da formação em Engenharia Aeroespacial em Portugal. O seu Mestrado Integrado foi criado em 1991. Desde o início regista a nota mínima de entrada mais alta de todas as engenharias e, nos últimos anos, tornou-se mesmo líder de todo o concurso nacional de acesso ao ensino superior.

“A Engenharia Aeroespacial é extremamente interdisciplinar, fornecendo um espectro largo de competências com uma vasta gama de procura no mercado de emprego. O engenheiro aeroespacial dos ramos Aeronaves e Aviónica pode desempenhar respetivamente as funções de engenheiro mecânico ou eletrotécnico, embora não seja esse o objetivo”, explica Fernando Lau, coordenador do Mestrado em Engenharia Aeroespacial do Técnico, ao Jornal Económico.

O curso é um valor seguro e com retorno, que funciona como rampa de lançamento para um emprego ou a criação de um negócio inovador. Empresas como OGMA, TAP, NAV, INAC ou a Força Aérea Portuguesa têm as portas abertas aos saídos do Técnico com uma especialização nesta área. O mesmo acontece lá fora, com a Airbus, British Aerospace, CASA, Rolls-Royce, Safran, CERN, ESA e Eurocontrol, adianta Fernando Lau.

Permite voar. Literalmente. Antigos alunos de Engenharia Aeroespacial do Técnico fundaram e lideram empresas que todos conhecem: Lusospace, Omnidea, Spinworks, Tekever e UAVision.
A Tekever foi fundada em 2001, por três antigos alunos: Pedro Sinogas, Ricardo Mendes e Vítor Cristina, operando na área da Vigilância Marítima com recurso a Sistemas Aéreos Não Tripulados (UAVs). É um dos principais fornecedores de sistemas de comunicação entre satélites a nível europeu.

“A Tekever é um player global e recruta globalmente”, diz fonte da direção de Recursos Humanos da empresa ao Jornal Económico, explicando: “Valorizamos o recrutamento dentro de fronteiras, pela qualidade do ensino, mas julgamos necessário um aprofundamento do diálogo entre o meio académico e as empresas”.

A empresa tem procurado criar parcerias através de protocolos com as principais universidades do país, de forma a acompanhar os futuros profissionais numa fase precoce de formação. “Assim, conseguimos encontrar as melhores competências nas mais diversas áreas, antecipando necessidades de longo prazo”, adianta.

No geral, explica a Tekever, o ensino português e a nossa cultura são dois pontos muito valorizados pelas empresas de tecnologia e de engenharia existentes no mercado. E todos os dias surgem novas ideias e novas startups. A pandemia acentuou esta tendência e conceitos como trabalho remoto e/ou híbrido passam a ser norma em anúncio de emprego nas áreas tecnológicas. “O nosso desafio é ter as melhores condições, mas também os projectos mais desafiadores, de forma a atrair os melhores. O que tem vindo a acontecer”, afirma.

O mercado de emprego é muito competitivo nesta área. A indústria aeroespacial está em pleno crescimento, nos planos nacional e internacional. Eis uma oportunidade para as instituições de ensino superior, aproveitada recentemente pela Universidade de Aveiro, instituição com competências reconhecidas em telecomunicações, eletrónica, informática, mecânica, física e materiais.

A UA, liderada por Paulo Jorge Ferreira, criou a licenciatura em Engenharia Aeroespacial e o mestrado em Sistemas de Comunicação Aeroespaciais. Um êxito. Na estreia, no concurso nacional de acesso 2021/2022, esgotou as vagas na primeira fase, colocou-se em oitavo no ranking das notas e liderou em casa.

Será possível aumentar a quantidade sem diminuir a qualidade dos formados? Possível será, na perspetiva da Tekever, mas “com o esforço adequado, desde o 2. Ciclo, para atrair mais estudantes para as áreas científicas e de engenharia, reforçando em paralelo os cursos técnico profissionais”. A aposta nestas áreas, conclui a mesma fonte, “proporcionará no futuro a democratização de novas profissões de que são exemplo os nossos Remote Pilot de UAVs.”

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