Afinal, Putin e o Kremlin vão mobilizar um milhão de russos para a guerra na Ucrânia

O Kremlin já negou este valor e disse que quer mobilizar 300 mil cidadãos. Mas o decreto presidencial de Putin aparece censurado no artigo que dita o número de cidadãos que vão ser chamados para combater pelo exército russo na Ucrânia.

epa09910064 Russian President Vladimir Putin meets with Russian Olympic and Paralympic athletes during a state awards ceremony for Russian medal winners of the Beijing 2022 Olympic Winter Games at the Kremlin in Moscow, Russia, 26 April 2022. EPA/YURI KOCHETKOV

Vladimir Putin assinou esta semana um decreto presidencial que prevê a mobilização de cidadãos para o exército russo para combaterem na Ucrânia.

O decreto foi publicado no portal oficial russo que contém toda a legislação, mas um dos artigos do documento foi apagado da versão pública para ocultar a informação.

O jornal russo independente “Novaya Gazeta” – cujos jornalistas estão a trabalhar fora da Rússia por terem sido perseguidos pelo Kremlin – revelou esta semana que este artigo prevê a mobilização de um milhão de cidadãos para combaterem na Ucrânia. O meio cita uma fonte do Kremlin.

O ministério da Defesa defendeu que o documento não devia ser de todo divulgado publicamente. Mas depois foi decidido censurar apenas o artigo sete.

“Eles mudaram o número várias vezes e finalmente pararam num milhão”, disse a fonte.

O “Novaya Gazeta” contactou várias fontes em diferentes ministérios para tentar confirmar a informação, mas estas responderam que o decreto também aparece censurado no sistema interno do Governo russo.

“Da minha conta no sistema de gestão de documentos, vejo o mesmo texto que todos os outros: o artigo sete está escondido”, disse um responsável de um dos ministérios.

O porta-voz do Kremlin já veio negar esta informação. “A única coisa que posso dizer é repetir o que o ministro da Defesa [Sergey Shoigu] disse na sua entrevista: 300 mil pessoas. O artigo menciona o número de até 300 mil pessoas”.

Mais de 1.300 pessoas já foram detidas na Rússia em protestos contra a mobilização.

Em pelo menos quatro cidades russas, as autoridades militares locais já emitiram ordens a impedir os reservistas de viajarem.

 

Relacionadas

Ucrânia. Soldados russos estão a ir casa-a-casa recolher votos para os referendos

Só existe um boletim de voto por casa, e não por cidadão. Soldados perguntam qual o sentido de voto e depois anotam numa folha. Ucranianos temem represálias pelos soldados se votarem contra integração das regiões na Rússia.
Recomendadas

Ucrânia: Sistema energético estabilizado após dias sem luz devido a ataques russos

A invasão foi condenada pela comunidade internacional, que respondeu, com destaque para a União Europeia e os Estados Unidos, com ajuda militar, humanitária e económica a Kiev e a imposição de sanções económicas e políticas sem precedentes a Moscovo.

Ucrânia: Rússia anuncia morte de “uma centena de mercenários estrangeiros” em Donetsk

“Até 100 mercenários estrangeiros e seis veículos blindados foram destruídos na área de Chasiv Yar em resultado de um ataque com armas de alta precisão das forças aeroespaciais russas nos locais temporários de treino dos chamados milicianos da Legião Estrangeira”, declarou o porta-voz do exército russo, general Igor Konashenkov.

União Europeia paga transporte de cereais ucranianos para países vulneráveis

A iniciativa pretende fornecer cereais gratuitos a pelo menos cinco milhões de pessoas, em países como o Sudão, o Iémen, o Quénia e a Nigéria até ao final da primavera de 2023.
Comentários