Afro-americanos foram os principais alvos da Rússia para influenciar eleições dos EUA em 2016

A Universidade de Oxford descobriu ainda que os afro-americanos foram mais expostos a anúncios no Facebook e no Instagram do que qualquer outro grupo racial. De acordo com os investigadores, mais de mil anúncios foram apresentados a este grupo.

REUTERS/Kevin Lamarque

No seguimento do relatório apresentado ontem sobre o uso das maiores redes sociais para a manipulação das eleições presidenciais norte-americanas em 2016, o estudo ”The IRA, Social Media and Political Polarization in the United States, 2012-2018” apresenta também dados que os afro-americanos foram os principais alvos desta manipulação.

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Os dois novos novo estudos, um conduzido pela Universidade de Oxford e outro pela empresa de cibersegurança New Knowledge, dizem que os operacionais do governo russo que manipularam as eleições norte-americanas usaram plataformas como o Facebook para “confundir, distrair e desencorajar” os negros que iam votar em Hillary Clinton, divulgando ‘noticias falsas’ (fake news, em inglês) sobre a candidata, escreve o ”The Guardian”.

Os novos estudos defendem que houve “esforços subtis” para incentivar o eleitorado negro a boicotar a eleição ou a votar em Donald Trump. Uma das estratégias dos propagandistas russos foi feita através da página de Facebook “Blacktivist”, que conquistou quase cinco milhões de “gostos”. Nos últimos dias de campanha, essa página publicou mensagens que sugeriam que “as vidas dos negros não importam a Hillary Clinton” (”Black Lives Don’t Matter for Hillary Clinton”, em inglês)  e que o melhor seria votar em Jill Stein, do Partido dos Verdes. Ou então nem sequer ir às urnas porque “não votar é uma maneira de exercer os nossos direitos”, defendia a página.

A Universidade de Oxford descobriu ainda que os afro-americanos foram mais expostos a anúncios no Facebook e no Instagram do que qualquer outro grupo racial. De acordo com os investigadores, mais de mil anúncios foram apresentados a utilizadores do Facebook tipicamente mais interessados em pesquisar sobre questões civis dos afro-americanas. Esses anúncios atingiram quase 16 milhões de pessoas e todos davam informações erradas sobre as taxas de pobreza e sobre violência policial.

De acordo com os relatórios, todos esses propagandistas pertenciam à Agência de Pesquisa na Internet, uma ferramenta russa para levar a cabo operações de influência online conforme os interesses comerciais e políticos de Vladimir Putin, o presidente da Rússia. Tanto a Universidade de Oxford, como essa empresa concordam que essas manobras de manipulação nas redes sociais foram preparadas ao longo de cinco anos e que “todas as mensagens visavam claramente beneficiar o Partido Republicano e, especificamente, Donald Trump”.

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