Ageas aumenta lucros em Portugal para 81,6 milhões de euros até setembro

O grupo segurador Ageas Portugal, do qual faz parte a Ocidental, obteve lucros de 81,6 milhões de euros até setembro, mais 78% face aos 45,8 milhões de euros do mesmo período de 2016, segundo informação divulgada à Lusa.

Cristina Bernardo

Dentro do grupo Ageas Portugal, já a seguradora Ocidental Vida conseguiu lucros de 52,4 milhões de euros, acima dos 34,2 milhões de euros de setembro de 2016, e a Ocidental Pensões obteve 3,2 milhões de euros, o que compara com os 2,8 milhões dos primeiros nove meses do ano passado.

O grupo Ageas tem 1.277 trabalhadores em Portugal, onde opera através das marcas Ocidental Seguros, Ocidental Pensões, Médis, Ageas Seguros e Seguro Direto.

O grupo belga Ageas entrou em Portugal em 2005, através de uma parceria com o BCP, em 2014 comprou ao banco a totalidade das seguradoras Ocidental Não Vida e Médis e em 2015 adquiriu a operação da Axa em Portugal.

A Ageas vende os seus seguros diretamente e, pela Ocidental, através do canal bancário do banco BCP.

O BCP é o principal distribuidor de seguros da Ocidental. Aliás, o banco continua a deter 49% do capital da Ocidental Vida e Pensões, detendo a Ageas a maioria do capital (51%).

Em declarações à Lusa, o presidente executivo da Ocidental, Nélson Machado, disse que tem corrido bem o trabalho em comum com o BCP e que o objetivo é “manter a parceria”, que pelo atual contrato continuará até cerca de 2030.

Quanto aos produtos da Ocidental, o gestor diz que a equipa que lidera está a trabalhar para disponibilizar aos clientes mais produtos relacionados com o envelhecimento, nomeadamente aquilo que designa de “soluções de desacumulação” de poupanças.

Segundo Nélson Machado, no mercado há muitos produtos para poupar, mas todos têm em comum chegar a um momento e o valor poupado ser totalmente entregue ao cliente. O objetivo dos produtos a criar, explicou, é que o cliente passe a receber as poupanças angariadas ao longo da vida ativa em prestações reguladores, por exemplo em mensalidades, à semelhança do que já há noutros países.

Nélson Machado disse ainda que quer “aumentar a poupança de longo prazo dos portugueses”, considerando que não estão suficientemente esclarecidos sobre quanto será a sua pensão quando se reformarem, mas considerou que para isso é necessário um debate na sociedade que ainda não foi feito.

A semana passada foi divulgado pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) que os portugueses pouparam apenas 4,4% do rendimento disponível no ano acabado em setembro de 2017, o valor mais baixo da série que tem início em 1999.

O grupo Ageas está presente em 16 países (sobretudo Europa Central e sudeste Asiático), contando com 12 mil trabalhadores e com um volume de negócios de cerca de 27 mil milhões de euros, segundo informação da empresa.

Em Portugal, a Ageas ocupa a segunda posição no mercado de seguros, a seguir à Fidelidade.

Por segmentos, a Ageas Portugal ocupa a segunda posição em seguros do ramo vida (em que se inserem os seguros vida/risco, muito usados nos créditos à habitação, PPR – Planos de Poupança Reforma e produtos de capitalização), sendo o líder de mercado a Fidelidade, e a terceira posição em seguros não vida (seguros de trabalho, automóvel e de saúde), após a Fidelidade e a Tranquilidade.

A Ageas Portugal ainda é, segundo os mesmos, líder de mercado em fundos de pensões, com a Ocidental Pensões a gerir 5,2 mil milhões de euros de ativos. Entre os fundos de pensões geridos estão os das empresas BCP, EDP ou Cimpor.

A Ageas é detida por vários investidores institucionais, como fundos de investimento. Entre os acionistas qualificados está o grupo chinês Fosun, com cerca de 3% do capital, segundo informação divulgada em setembro.

Em Portugal, a Fosun detém a seguradora Fidelidade (que pertencia à Caixa Geral de Depósitos antes da privatização) e é acionista principal do banco BCP (com 25,16% do capital social).

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