Agricultura perde peso. Seca, inflação e aumento dos preços condicionam sector em Portugal

No Dia da Produção Nacional, a Pordata — base de dados estatísticos da Fundação Francisco Manuel dos Santos (FFMS), divulgou um relatório onde expõem um conjunto de indicadores sobre a agricultura em Portugal, que abrangem temas como a produção, o emprego ou o peso económico do sector.

O sector agrícola português tem vindo a sofrer vários e complexos desafios, gerados pela seca — uma das mais severas das ultimas décadas, a guerra na Ucrânia e consequente aumento da inflação e a escalada dos preços da energia e de alguns produtos agrícolas fundamentais, como herbicidas ou pesticidas.

No Dia da Produção Nacional, a Pordata — base de dados estatísticos da Fundação Francisco Manuel dos Santos (FFMS), divulgou um relatório onde expõem um conjunto de indicadores sobre a agricultura em Portugal, que abrangem temas como a produção, o emprego ou o peso económico do sector.

Segundo os dados disponibilizados, a riqueza criada pela agricultura em 2021 foi de 3,5 mil milhões de euros. Descontando a inflação acumulada ao longo dos anos, o valor tem diminuído desde o início dos anos 80. Nessa década, a agricultura gerava mais do dobro da riqueza atual, atingindo o valor mais baixo em 2012.

Ainda assim, 2021 foi o segundo melhor ano de produção agrícola do século XXI, ao gerar 9,2 mil milhões de euros, sendo que 61% deste valor diz respeito à produção vegetal e 33% à pecuária.

No ano anterior, 2020, Portugal recebeu 170 milhões de euros em ajudas ao investimento na agricultura. A preços constantes, desde que Portugal entrou na União Europeia, o valor mais alto foi em 1989, quando Portugal recebeu 2,5 vezes mais do que em 2020.

Por regiões, Alentejo e Açores assumem maior relevância económica no sector, ao representarem 8,8% do PIB no Alentejo e 6,8% nos Açores. Em sentido contrário, sem surpresa, a Área Metropolitana de Lisboa apresenta o menor peso, 0,3% do PIB.

Em relação ao número de trabalhadores do sector, Portugal regista 650 mil (equivalente a 6% da população portuguesa), número que diminuiu substancialmente face a 1989 quando se registavam em território nacional 1,5 milhões de agricultores.

O salário médio dos trabalhadores do sector da Agricultura e Pescas é de 823 euros, menos 21% do que o dos trabalhadores por conta de outrem, ou seja, menos 219 euros por mês. Apenas no sector dos Alojamentos e Restauração se ganha menos.

O número de explorações agrícolas também tem vindo a diminuir. Segundo a Pordata, nos últimos 30 anos, as áreas para a agricultura foram reduzidas para menos de metade. Atualmente, metade da superfície agrícola em Portugal serve para pastagens permanentes (52%) destinadas à produção pecuária.

Por fim, o relatório revela que os cereais são a quarta cultura agrícola com maior produção em Portugal, um milhão de toneladas em 2020. No entanto, muito longe do peso que assumia em 1986, quando gerava uma produção de 1,7 milhões de toneladas.

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