AHRESP defende que OE2022 “deverá ser instrumento catalisador da atividade turística”

Para a AHRESP, o OE2022 “não responde ao contexto inflacionista que se verifica desde o início do ano, quer ao nível das matérias-primas, quer ao nível do combustível e da energia”.

A Associação da Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal (AHRESP), que está prestes a iniciar uma ronda junto dos grupos parlamentares para apresentar propostas, pede que o Orçamento do Estado para 2022 (OE2022) seja “um instrumento catalisador da atividade turística”.

“A nova proposta do OE2022, já aprovada na generalidade no passado dia 29 de abril, não acolhe algumas importantes medidas propostas pela AHRESP, que teriam um impacto significativo no apoio à recuperação das atividades da restauração”, começa por referir em comunicado a associação.

Para a AHRESP, o OE2022 “não responde ao contexto inflacionista que se verifica desde o início do ano, quer ao nível das matérias-primas, quer ao nível do combustível e da energia”. “Além de que o contexto atual levará inevitavelmente à perda do poder de compra das famílias e, por consequência, a uma provável redução de consumo”, acrescenta.

Assim sendo, a associação considera que o Orçamento “deveria ser um importante instrumento catalisador  da atividade turística, que se tem revelado um dos principais motores da economia nacional”.

“Inevitavelmente, as empresas da restauração, similares e do alojamento turístico serão, como sempre em momentos de crise, das mais afetadas”, diz a AHRESP.

Na área da restauração, a associação sublinha ainda que “uma vez mais, a aplicação temporária da taxa reduzida de IVA a todo o serviço de alimentação e bebidas, não foi tida em conta”. Segundo a AHRESP esta é “uma medida com aplicação direta e universal, que seria essencial para reforçar as tesourarias, manter os postos de trabalho e assegurar a sobrevivência das empresas, potenciando a sua recapitalização”.

Além da atividade turística e restauração, a AHRESP defende que o OE2022 deve incluir “medidas objetivas para reforçar o capital das empresas, com mecanismos diretos às micro e pequenas empresas, para atenuar o efeito inflacionista das matérias-primas e das energias”.

A representante de hotelaria e restauração informa ainda que “irá propor audiências com os vários grupos parlamentares, onde terá oportunidade de apresentar um conjunto de 15 medidas, centradas em 3 eixos estratégicos: fiscalidade, capitalização e emprego”.

De relembrar que o Instituto Nacional de Estatística revelou que a taxa de inflação se fixou em 7,2% no passado mês de abril, continuando a subida que se tem verificado nos meses anteriores desde o início da invasão à Ucrânia, e algo que levou ao aumento vertiginoso dos preços nas prateleiras de supermercados e, consequentemente, para o sector da hotelaria e restauração.

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