AHRESP. Mais de 80% das empresas de restauração com quebras acima dos 60% na faturação em fevereiro

AHRESP pede reforço dos apoios às empresas. Associação sectorial diz que “o prolongamento do estado pandémico, que tem obrigado a sucessivos estados de emergência” continua a provocar “fortes quebras de faturação” nas empresas da restauração, similares e alojamento.

Cristina Bernardo

A Associação da Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal (AHRESP) anunciou esta quarta-feira que 83% das empresas do sector da restauração regista perdas acima dos 60% na faturação, de acordo com um inquérito realizado em fevereiro.

Em comunicado, a AHRESP salienta que “o prolongamento do estado pandémico, que tem obrigado a sucessivos estados de emergência” e, consequentemente, à “redução significativa das atividades” da restauração, similares e alojamento, continua a provocar “fortes quebras de faturação”.

A situação, constatada pelo resultado de mais um inquérito da associação sectorial, coloca em “risco de sobrevivência” os negócios e a manutenção dos postos de trabalho. “Para que tal não aconteça, devem ser rapidamente reforçados os apoios financeiros às tesourarias, bem como a clarificação dos mecanismos de capitalização”, segundo a AHRESP.

No caso do sector da restauração e similares, o estudo da AHRESP indica que 54% das empresas esteve “totalmente encerrada” no último mês, sendo que 34% pondera “avançar para insolvência, dado que as receitas realizadas e previstas não permitirão suportar todos os encargos que decorrem do normal funcionamento da sua atividade”.

A principal consequência do tombo na faturação desta empresas é a falta de tesouraria para cumprir encargos salariais. Assim, “18% das empresas não conseguiram efetuar o pagamento dos salários em fevereiro e 14% só o fez parcialmente”.

Neste contexto, 38% das empresas já efetuaram despedimentos desde o início da pandemia, sendo que 19% reduziram em mais de 50% os postos de trabalho a seu cargo. E 11% das empresas assume que não vai conseguir manter todos os postos de trabalho até ao final do mês de março.

No sector do alojamento turístico, o estudo da AHRESP não indica melhores cenários. No último mês, 56% das empresas inquiridas não registou qualquer ocupação e 27% indicou uma ocupação até 10%. Neste mês de março, 53% das empresas estima uma taxa de ocupação zero e 24% das empresas prevê uma ocupação máxima de 10%.

Em fevereiro, 27% das empresas de alojamento turístico teve a sua atividade suspensa. A quebra de faturação do mês de fevereiro “foi devastadora”, com 57% das empresas a registar perdas acima dos 90%.

Nestas circunstâncias, “16% das empresas pondera avançar para insolvência por não conseguir suportar todos os normais encargos da sua atividade”, indica a AHRESP.

Como consequência da forte redução de faturação, 32% das empresas não conseguiu pagar os salários em fevereiro e 8% só o fez parcialmente.

Segundo a associação sectorial, 30% das empresas já efetuou despedimentos desde o início da pandemia, sendo que 36% reduziu em mais de 50% os postos de trabalho a seu cargo e 5% assume que não vai conseguir manter todos os postos de trabalho até ao final do mês de março.

O estudo da AHRESP teve por base 964 respostas válidas a um inquérito realizado em fevereiro.

Recomendadas

PremiumOCDE deixa quatro recados a Portugal, do PRR ao orçamento

A OCDE está menos otimista do que estava no verão quanto à evolução da economia portuguesa no próximo ano, tendo revisto em baixa a previsão de crescimento do PIB. Aproveitou também para alertar para a importância do PRR e da consolidação orçamental.

OE2022: Segurança Social regista excedente de 3.358 milhões de euros até outubro

A receita da Segurança Social aumentou em 9,1% e atingiu os 28.387,7 milhões de euros até outubro, enquanto a despesa caiu 0,5% para 25.030,1 milhões de euros, de acordo com a síntese divulgada hoje pela Direção-Geral do Orçamento (DGO).

PremiumBCE e Fed avaliam peso da subida de juros e ritmo pode abrandar nas próximas reuniões

As atas das mais recentes reuniões de política monetária na zona euro e EUA mostram uma preocupação de ambos os bancos centrais com o abrandamento da economia, dando esperanças de subidas menos expressivas dos juros nos próximos meses, embora os sinais neste sentido sejam mais fortes do outro lado do Atlântico.
Comentários