AHRESP: “O sector ainda está muito aquém das potencialidades das ferramentas digitais”

A secretária-geral da AHRESP diz, ao Económico Madeira, que para produzir riqueza é preciso existir “condições e ambientes” favoráveis. “Se esmagamos as empresas com um conjunto de encargos, custos de contextos, impostos, as empresas não conseguem produzir riqueza. E como elas foram criadas para isso então fecham as portas. Então nem emprego nem riqueza”, reforça Ana Jacinto.

A secretária-geral da Associação da Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal (AHRESP), Ana Jacinto, diz ao Económico Madeira que o sector ainda “está muito aquém” das potencialidades das ferramentas digitais, e salienta a importância de capacitar as pessoas no sentido de se criar propostas de valor com base nessas ferramentas.

Ana Jacinto sublinha a importância de existir um trabalho em rede e de existir mais massa crítica e músculo no sector.

A dirigente da AHRESP alerta que para distribuir riqueza é preciso produzir riqueza, sublinhando que “há sempre uma tendência para falar da distribuição da riqueza mas não se conversa como é que se produz a riqueza”.

Ana Jacinto acrescenta que para produzir riqueza é preciso existir “condições e ambientes” favoráveis. “Se esmagamos as empresas com um conjunto de encargos, custos de contextos, impostos, as empresas não conseguem produzir riqueza. E como elas foram criadas para isso então fecham as portas. Então nem emprego nem riqueza”, reforça a dirigente da AHRESP.

Que tendências têm emergido dentro do sector?

As tendências são aquelas que estão a dar resposta à procura. Nós temos um turista, um consumidor, um cliente, cada vez mais atento, cada vez mais preocupado com as questões de segurança, preocupado com o atendimento personalizado. Nós não podemos tratar o turismo como um todo. Precisamos de tratar o turista de forma individualizada. E cada vez mais criar mais valor.

E para isso a questão da digitalização tem estado na ordem do dia. Nós temos um sector ainda muito aquém das potencialidades das ferramentas digitais. Os nossos sectores foram empurrados para a compra de ferramentas digitais mas depois falta-nos a capacitação das pessoas para criar propostas de valor com base nessas ferramentas digitais que é uma coisa diferente.

A AHRESP fez recentemente um projeto que foi denominado Hotel 4.0. Começamos este projeto antes da pandemia. O projeto demorou alguns anos. Chegamos a conclusões muito interessantes. Este projeto foi só para a hotelaria. Percebemos que na hotelaria nós temos ainda um caminho muito grande para percorrer para chegar à tal transição digital.

Porque o que aconteceu ao longo dos anos foi de facto a compra de equipamentos, hardware, a compra de ferramentas, mas depois as pessoas que estão a trabalhar com essas ferramentas não conseguem retirar o proveito e fazer as propostas de valor que poderiam fazer para o seu cliente, consumidor, para o utente.

Esse trabalho tem de ser percorrido. Fizemos o diagnóstico, apresentamos as conclusões, agora vamos ajudar as empresas a fazer esse percurso. Porque precisamos de criar propostas de valor cada vez mais personalizadas para quem nos visita. Porque as tendências são essas. Personalizar cada vez mais as experiências de quem procura o nosso país. Porque cada um daqueles que procura o país o que leva daqui são as experiências vividas. E essas experiências têm que ser cada vez mais sofisticadas para que ele possa quando chegar ao seu país de origem dizer que viveu uma experiência inesquecível. Porque se vai viver o que vive em qualquer país não vai comentar com ninguém. Se teve uma experiência única, singular, adequada ao seu perfil, aquilo que quer, ao que procura, porque temos de conhecer cada vez mais quem nos visita, os seus hábitos, os seus gostos. Se for cada vez mais personalizado nós só vamos ganhar.

As tendências é a personalização da experiência, cada vez mais aprimorada, e com cada vez com mais qualidade, dependendo dos nichos onde esta empresa trabalha. Depois temos uma grande diversidade de oferta consoante o nicho que essa empresa quer trabalhar ou procura trabalhar.

Que outras preocupações tem o sector?

Tivemos o nosso congresso recentemente e uma das questões que mais se relevou foi estas empresas, estes empresários, este sector, precisar de trabalhar cada vez mais em rede, precisar de cada vez mais ter massa crítica e músculo.

E para isso nós temos que estar juntos naqueles que são os desafios dos próximos tempos. Eu não quero ser pessimista mas também não sou uma grande otimista. E sabemos todos nós que vamos ter desafios. Muitos desafios.

Basta olhar para estas notícias recentes que vamos ouvindo. O mundo está muito diferente. E temos aqui desafios que a mim me preocupam, preocupam a AHRESP, preocupam os nossos empresários, e quanto mais juntos estivermos, e quanto mais trabalharmos em rede melhor.

E quando falo trabalhar em rede, estou a falar de projetos que envolvem estas empresas e que são dedicados a estas empresas para ajudar as empresas a ser cada vez melhores.

Porque para estas microempresas, não nos podemos esquecer que a preocupação destas empresas é ir comprar o peixe, a carne, tratar do almoço, do jantar, não têm tempo para estar a preocupar-se com outras questões que competem à AHRESP preocupar-se e facilitar a vida destas empresas.

Quantas mais empresas estiverem connosco, quanto mais empresas se juntarem a nós e se tornarem associadas desta casa, mais voz a AHRESP terá para poder pôr em cima da mesa as preocupações dessas empresas e encontrar caminhos e em diálogo constante, construtivo, convencer quem tem o poder de decidir, porque infelizmente nós não temos esse poder, não somos nós que governamos, não somos não que decidimos, mas tentar convencer quem governa, quem decide, que tem de olhar para este sector de uma forma muito preocupada, muito atenta, porque voltamos ao mesmo. Este sector é decisivo para o crescimento do nosso país. Precisamos de criar as condições e o ambiente favorável para que estas empresas produzam riqueza.

Nós não pudemos distribuir riqueza se não tivermos empresas a produzir riqueza. Porque as empresas não são constituídas apenas para dar emprego. É um papel importante. Elas são constituídas para dar emprego mas acima de tudo para produzir riqueza para que essa riqueza possa ser distribuída.

Esse é o objetivo primeiro das empresas. E para que elas possam produzir riqueza, e distribuir riqueza. Há sempre uma tendência para falar da distribuição da riqueza mas não se conversa como é que se produz a riqueza.

Porque para a distribuirmos temos de a produzir. E para a produzir temos de ter condições e ambiente favoráveis. Se esmagamos as empresas com um conjunto de encargos, custos de contextos, impostos, as empresas não conseguem produzir riqueza. E como elas foram criadas para isso então fecham as portas. Então nem emprego nem riqueza.

E é isto que temos de convencer quem trata de nós, de quem tem poder de decisão, que tem de criar as condições para que isso aconteça. E depois vem a distribuição da riqueza. Naturalmente. Naturalmente que é assim. Para isso é preciso chegarmos ao ponto de elas conseguirem produzir riqueza.

Nós precisamos que as empresas se juntem a nós. Tivemos um congresso com cerca de 1.200 pessoas. Para nós foi muito importante porque estas conclusões retiradas do congresso têm uma força diferente do que se tivéssemos feito um congresso com 10 pessoas.

E por isso é que eu digo que é muito importante as empresas se juntarem à AHRESP para que possamos ser ouvidos com mais atenção, com mais propriedade, e o trabalho em rede, as redes colaborativas são essenciais para enfrentarmos um futuro que tem muitas incógnitas e muitos desafios e nós temos de estar cada vez mais preparados para o que aí vem.

Julgo que já nada vai ser como era antes com tantas certezas que nós achávamos que tínhamos, e com tantas previsões que se faziam, hoje em dia basta o bater de asas de uma borboleta no outro ponto do mundo e nós vamos todos a levar com o vento.

Estarmos cada vez mais preparados, precisamos que estejam connosco, e as empresas, nós temos muitos associados na Madeira, mas o sector é muito importante para a região. É um apelo que deixo que as empresas que estão na região se possam se juntar à AHRESP porque em breve estaremos com certeza uma delegação na Madeira e estaremos mais próximos das empresas.

Conteúdo do Económico Madeira de 4 de novembro.

Relacionadas

Premium“Precisamos de intensificar o valor que os turistas deixam no nosso território”

A secretária-geral da AHRESP defende que o turismo, restauração e similares devem apostar na qualidade. Sustentabilidade das empresas e manutenção dos postos de trabalho nos próximos tempos são as grandes preocupações. Ana Jacinto pede redução temporária do IVA.

AHRESP: “A nossa economia só cresce se o turismo crescer”

A secretária-geral da AHRESP diz, ao Económico Madeira, que é preciso ter um turismo que deixe “mais valor e que deixe mais receitas” no país, e salienta que o sector é a locomotiva da economia.
Recomendadas

Venezuela prepara acordos com petrolífera Chevron após alívio de sanções

A Venezuela anunciou hoje que vai assinar, nas próximas horas, acordos com a petrolífera norte-americana Chevron para impulsionar o desenvolvimento local de empresas mistas (capital público e privado) e a produção de petróleo.

“Via Verde rejeita categoricamente qualquer acusação de burla” que circule no Portal da Queixa

“Sempre que um cliente passa numa portagem e a transação falha, a Via Verde comunica diretamente com o cliente a dar conta de um eventual problema”, justifica. “Este alerta visa sempre proteger os clientes. Se o problema for confirmado, o cliente pode subscrever um plano Via Verde ou, se assim preferir, comprar um identificador novo”, esclarece fonte oficial da empresa ao JE.

ORES Portugal compra três hipermercados por 26,2 milhões que alugará ao Continente

Os três ativos imobiliários são objeto de contratos de arrendamento de longa duração com o Continente, do grupo Sonae, segundo um comunicado da SIGI do Bankinter e da Sonae Sierra.
Comentários