Alberto João Jardim desafia críticos a apontarem obras que não deveriam ter sido feitas

Alberto João Jardim disse que “[os] meus governos fizeram 4.890 inaugurações. Governos, não eu. [Os] governos Albuquerque prosseguiram-no. Para não perder tempo com ‘gajos importantes (?!…)’, de uma vez por todas indiquem à população aí beneficiada, um a um, qual o investimento que não devia ter sido feito!”.

O antigo presidente do Governo da Madeira, Alberto João Jardim, desafiou os críticos a apontarem que obras não deveriam ter sido realizadas.

“[Os] meus governos fizeram 4.890 inaugurações. Governos, não eu. [Os] governos Albuquerque prosseguiram-no”, escreveu Jardim na sua conta da rede social Twitter, na terça-feira.

O ex-governante e líder do PSD/Madeira acrescentou: “Para não perder tempo com ‘gajos importantes (?!…)’, de uma vez por todas indiquem à população aí beneficiada, um a um, qual o investimento que não devia ter sido feito!”.

As afirmações de Alberto João Jardim surgem depois de Sérgio Marques, antigo secretário regional com o pelouro das obras públicas, ter admitido ao DN que houve “obras inventadas a partir de 2000”, quando Alberto João Jardim era presidente do executivo madeirense, e grupos económicos que cresceram com o “dedo do Jardim”.

O líder parlamentar do PS Madeira, Rui Caetano, reagiu ao desafio de Alberto João Jardim, e considerou “condenável e escandaloso” que Alberto João Jardim goze de “forma descarada” com os madeirenses depois de ter liderado executivos que criaram uma dívida oculta de mais de seis mil milhões de euros “grande parte dela em obras inúteis.

Rui Caetano considera que Alberto João Jardim “só pode estar a recorrer ao sarcasmo” tendo em conta que na Madeira e no Porto Santo existem múltiplas infraestruturas que custaram milhões de euros aos contribuintes e muitas das quais não chegaram sequer a ter qualquer uso.

O socialista desafiou Alberto João Jardim a “fazer uma visita guiada pelos elefantes brancos que pululam um pouco por toda a Região” e refletem uma gestão danosa. “Eu lanço um repto ao ex-presidente do Governo para que explique aos madeirenses qual foi a utilidade da marina do Lugar de Baixo”, disse Rui Caetano.

Rui Caetano disse para Alberto João Jardim visitar o Porto Santo onde foram gastos 45 milhões de euros no projeto das microalgas, “para depois desistir do mesmo e passá-lo para as mãos de privados”, isto sem que o projeto “tenha alguma vez funcionado para a valência destinada, ou seja, a produção de biocombustível a partir de microalgas marinhas”.

O socialista disse também a Alberto João Jardim, e os estiveram nos seus Governos, a visitarem o Penedo do Sono, que já custou ao erário público mais de oito milhões de euros. O socialista referem que a infraestrutura, foi construída em 2003, foi concessionada em 2017 ao grupo Pestana e, passados dois anos, voltou à esfera pública, estando completamente ao abandono. “E o que dizer do devoluto estádio de desportos de praia, que custou dois milhões de euros e que está separado do Penedo do Sono por um kartódromo intransitável?”, acrescentou Rui Caetano.

O socialista pediu a Alberto João Jardim que voe de helicóptero até ao Porto Moniz, mas recomendou “que procure um local para aterrar, já que o heliporto, que custou quase um milhão de euros, foi utilizado apenas no dia da inauguração e não está preparado para a aterragem do atual helicóptero de socorro – o Merlin EH101”.

Rui Caetano sublinhou que estes investimentos falhados, muitos deles estiveram a cargo das falidas Sociedades de Desenvolvimento, a que acresce as derrapagens de milhões de euros em vários outros projetos.

“Alberto João Jardim devia ter respeito pelos madeirenses e devia, primeiro que tudo, pedir-lhes desculpas pelos danos económico-financeiros causados”, disse o socialista.

Sérgio Marques, que foi diretor regional entre 1988 e 1989, referiu, citado pelo jornal, que a governação de Jardim “foi fantástica até 2000”, mas depois “começaram a inventar-se obras, quis-se continuar no mesmo esquema de governo, a mesma linha, obras sem necessidade, aquela lógica das sociedades de desenvolvimento, todo aquele investimento louco que foi feito pelas sociedades de desenvolvimento”.

O social-democrata, que na terça-feira renunciou ao cargo de deputado na Assembleia da República e solicitou a sua saída da comissão política do PSD/Madeira, escreveu no domingo, na rede social Facebook, que estas declarações ao DN foram prestadas em ‘off’, no âmbito de um trabalho sobre os 47 anos com o PSD no poder na Madeira, numa “parte informal” da conversa, até porque “estão longe de ter atualidade e pertinência”.

Sérgio Marques justificou a renúncia ao mandato como deputado do PSD Madeira na Assembleia Legislativa da Madeira por considerar “não ter condições políticas” para continuar a exercer as suas funções como parlamentar na Assembleia Legislativa da Madeira.

O ex-deputado acrescentou que as suas opiniões eram “conhecidas, não são segredo, mas que se referem a momentos do passado, e que estão distantes da atualidade política regional”.

Sérgio Marques, secretário regional dos Assuntos Europeus e Parlamentares entre 2015 e 2017, na presidência do também social-democrata, Miguel Albuquerque, afirmou ainda que foi afastado do cargo por influência de um grande grupo económico da região.

A Lusa tentou, sem sucesso, obter um comentário de Alberto João Jardim.

No Twitter, o ex-presidente referiu que os críticos dos seus investimentos vão apontar “a habitual marina Lugar de Baixo [concelho da Ponta do Sol], destruída por tempestade e já não resolvida porque a oposição recorreu ao Tribunal Constitucional”.

Este empreendimento custou cerca de 100 milhões de euros, porque foi sucessivamente danificado por tempestades e reconstruído. O projeto acabou por ser abandonado pelo executivo madeirense em 2015, tendo sido considerado um dos ‘erros’ da sua governação.

O ex-presidente do Governo Regional (antecessor de Miguel Albuquerque, que ocupa o cargo desde 2015) considerou que “cabia a outros, depois, a iniciativa de aproveitar” a infraestrutura construída, mas “não o fizeram”.

“Ano eleitoral, maçonaria e ‘Madeira Velha’ nervosos…”, conclui, referindo-se às legislativas regionais que decorrem este ano.

Na segunda-feira, questionado pelos jornalistas sobre se Sérgio Marques deveria afastar-se do partido por iniciativa própria, Albuquerque, também líder do PSD/Madeira, disse: “O PSD é um partido livre e só está no PSD quem quer.”

Os deputados do PS na Assembleia Legislativa da Madeira anunciaram, no domingo, que vão solicitar uma comissão de inquérito para averiguar alegados favorecimentos do executivo madeirense a grupos económicos.

Na segunda-feira, por seu turno, os eleitos do JPP indicaram que vão chamar os empresários Luís Miguel de Sousa (Grupo Sousa) e Avelino Farinha (grupo AFA) ao parlamento madeirense para prestarem esclarecimentos sobre as declarações de Sérgio Marques e também do ex-governante regional Miguel de Sousa sobre o assunto.

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