Alemanha impõe reconhecimento do Kosovo para Sérvia entrar na União

O governo alemão criou a figura do enviado especial aos Balcãs Ocidentais. O ocupante do cargo deixou claro que a União não está interessada em ‘importar’ o conflito para o seu interior.

Antonio Bronic / Reuters

O enviado especial da Alemanha aos Balcãs Ocidentais, Manuel Saracin, disse que a posição de Berlim é que a Sérvia não pode tornar-se membro da União Europeia sem reconhecer a independência do Kosovo.

Em entrevista a um jornal da região, Saracin afirmou que “ A Alemanha sempre teve uma posição muito clara sobre esta questão – no final do processo de normalização das relações, quando a Sérvia decidir aderir à União Europeia, o reconhecimento do Kosovo fará parte do processo”. Isso mesmo foi “claramente declarado quando o chanceler Olaf Scholz visitou a Sérvia em junho do ano passado”, afirmou ainda.

O enviado especial disse que “a União Europeia está à frente das negociações entre Belgrado e Pristina, e que é necessário chegar a um acordo entre as duas partes o mais rapidamente possível”. Manuel Saracin é o primeiro enviado alemão aos Balcãs Ocidentais, posição que não existia nos governos anteriores.

Esta sexta-feira, 20 de janeiro, o representante especial da União Europeia para o Diálogo entre Kosovo e a Sérvia, Mirolsav Lajcak, liderará um grupo de diplomatas europeus e norte-americanos que se deslocará às capitais dos dois países. A delegação incluirá o enviado norte-americano aos Balcãs Ocidentais, Gabriel Escobar, assessores do chanceler alemão e do presidente francês e um assessor do primeiro-ministro italiano.

O objetivo da visita é preparar a realização da próxima ronda de negociações ao mais alto nível em Bruxelas, que ainda não tem data prevista. O presidente da Sérvia, Aleksander Vucic e o primeiro-ministro de Kosovo, Albin Kurti, encontraram-se pela última vez em Bruxelas em 21 de novembro do ano passado. A reunião foi inconclusiva e a responsabilidade da continuação do diálogo foi transferida do chefe da diplomacia europeia, Josep Borrell.

Depois dessa reunião de que nada resultou, o presidente da Sérvia disse que o reconhecimento da independência do Kosovo não estaria na sua agenda política. Posteriormente, a tensão entre a Sérvia e o Kosovo aumentou de tom ao longo do último mês, o que acabou por resultar na montagem de barricadas em diversos pontos da fronteira comum entre os dois países.

A Sérvia chegou a coloca o exército e a polícia em prontidão máxima – afirmando que o Kosovo fez o mesmo, apesar dos desmentidos do governo. A intervenção da diplomacia internacional e a presenta da KFOR (liderada pela NATO) no terreno acabou por ser suficiente para ultrapassar mais este momento de crise.

Mas a União Europeia sabe que, se os países dos Balcãs Ocidentais não resolverem este problema antes de entrarem no bloco dos 27, esse problema acabará por ‘rebentar’ no seu seio, com consequências imprevisíveis, mas necessariamente negativas.

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