Alemanha: Índice Ifo revela algum otimismo, mas cenário continua a ser de recessão

O índice de confiança e clima económico alemão registou algumas melhorias sectoriais e nas expectativas futuras, mas ainda consistentes com uma economia em recessão. Encomendas industriais continuam a cair e perspetivas de cortes de energia podem castigar ainda mais sector secundário germânico.

O índice de clima económico do Instituto Ifo melhorou significativamente em novembro, dando alguma esperança de melhoria do cenário nos próximos meses, mas sem permitir afastar para já o cenário de recessão no final deste ano.

O indicador subiu para 86,3 em novembro, depois de ter ficado nos 84,5 em outubro, uma melhoria motivada sobretudo pelo subindicador referente às expectativas económicas, que subiu de 75,9 para 80,0. Ao mesmo tempo, o índice relativo às condições atuais caiu 94,2 para 93,1, mostrando que o cenário não está a melhorar, tal como havia sucedido com os índices PMI divulgados no dia anterior.

Por sector, todos se mantêm em terreno de contração, ou seja, abaixo de 100, mas apresentando melhorias marginais em relação ao mês anterior. Isto sucede apesar de uma queda no número de novas encomendas e de os stocks começarem a acumular-se na indústria alemã, uma “combinação que nunca promete nada de bom”, refere a análise do banco ING.

Ainda assim, a produção industrial aumentou ligeiramente, algo que a Pantheon Macro considera ser mais difícil quando chegar o inverno e as necessidades de climatização das famílias subirem, colocando possíveis problemas ao nível do fornecimento de gás natural.

De resto, um inquérito separado do instituto Ifo revela que as empresas alemãs têm conseguido lidar com a crise energética, com 75% dos inquiridos a afirmar que conseguiu reduzir consumos energéticos sem cortar produção, mas perto de 40% projetam não serem capazes de poupar ainda mais energia sem sacrificar output.

Assim, apesar de mostrar algum otimismo, “o relatório desta quinta-feira não é suficiente para nos convencer que a Alemanha escapará à recessão neste trimestre”, argumentam os analistas da Pantheon.

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