Alemanha: provável sucessor de Merkel puxa a CDU para a direita

Friedrich Merz, o candidato ‘anti-Merkel’, deverá ser eleito presidente do partido no congresso de janeiro próximo, depois de ter sido o candidato mais votado numa eleição entre os membros da CDU. À terceira foi de vez.

Axel Schmidt/Reuters

A União Democrata Cristã da Alemanha (CDU), partido de Angela Merkel, elegeu Friedrich Merz como novo líder designado, numa altura em que a formação tenta encontrar um caminho para a saída da crise depois de a ex-chanceler ter anunciado que não mais iria concorrer ao cargo e de várias personalidades terem falhado essa função.

Merz, que lidera a ala mais à direita do partido, já foi derrotado várias vezes em corridas anteriores à liderança, mas desta vez conseguiu levar de vencida Helge Braun o ex-chefe de gabinete de Merkel, que lidera a ala mais centrista e o especialista em política externa Norbert Rottgen. Merz conseguiu 62% dos votos, eliminando assim a necessidade de uma segunda votação.

Pela primeira vez em sua história, a CDU decidiu dar a palavra sobre a liderança aos seus cerca de 400 mil membros, dos quais mais de 248 mil participara, por via digital e por correspondência. O voto dos membros do partido não é vinculativo e terá de ser confirmado pelos delegados da CDU em congresso marcado para 21 e 22 de janeiro.

A eleição ocorre num momento em que a CDU está sem rumo e tenta afastar-se do pior resultado da sua história nas eleições federais de setembro, nas quais o social-democrata Olaf Scholz (SPD) foi eleito sucessor de Merkel.

A viragem à direita – se Merz confirmar a vitória – indica que o partido escolheu radicalizar-se para aprofundar as diferenças em relação aos social-democratas do SPD, que foram várias vezes parceiros de coligação dos democratas-cristãos no passado recente. Segundo analistas citados pelos jornais alemães, esta decisão – que com certeza não seria da preferência de Merkel – aponta para que a CDU quer tentar fazer regressar ao seu seio votantes que entretanto enfileiraram na extrema-direita do Alternativa para a Alemanha (AfD), que continua a ter uma forte presença nos estados do leste do país. Merz já tinha dito que um realinhamento conservador e mais à direita do seu partido poderia reconquistar eleitores que se voltaram para a AfD.

Helge Braun, um médico de 49 anos que conseguiu 12% dos votos, foi ministro durante o último mandato e assumiu um papel de destaque na coordenação de medidas de combate à pandemia. Norbert Rottgen, de 56 anos, ficou em segundo lugar com 25,8%, e é também ex-ministro do Ambiente, tendo saído do gabinete de Merkel em 2012. Perdeu uma corrida anterior contra Armin Laschet – que desapareceu do partido depois da derrota de setembro passado.

Para Merz, foi a terceira tentativa de tomar o controlo do partido tendo perdido para Annegret Kramp-Karrenbauer em 2018 e para Laschet em janeiro deste ano. Considerado uma espécie de candidato ‘anti-Merkel’ ao prometer restringir as regras de imigração na Alemanha, Merz tentou adotar um tom mais consensual em sua terceira tentativa, segundo a imprensa alemã.

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